A indústria de crédito privado começou 2026 com sinais de recuperação, impulsionada pelo aumento das captações e pela melhora no desempenho dos fundos. Em janeiro, os fundos voltados a essa modalidade registraram entrada líquida de R$ 5,7 bilhões, revertendo perdas observadas nos dois meses anteriores.
O movimento também aparece no resultado acumulado dos últimos 12 meses, que apresenta saldo positivo de R$ 9 bilhões. O resultado ocorre mesmo após um período de forte retirada de recursos em dezembro de 2025, quando os resgates somaram R$ 22,5 bilhões.
Segundo o InfoMoney, a recuperação reflete fatores sazonais e mudanças no ambiente econômico, além de uma reorganização do mercado após eventos financeiros recentes. O desempenho acima de indicadores de referência e o crescimento do patrimônio dos fundos indicam retomada gradual da confiança dos investidores.
Fluxo de recursos e desempenho impulsionam recuperação
Os fundos de infraestrutura também apresentaram crescimento no início do ano. Em janeiro, a captação líquida chegou a R$ 2,1 bilhões, enquanto o saldo acumulado em 12 meses atingiu R$ 51 bilhões. O setor registrou entrada de recursos em 11 dos últimos 12 meses, evidenciando continuidade da demanda por esse tipo de investimento.
Entre os fatores que contribuíram para a melhora está a sazonalidade do mercado financeiro, que costuma concentrar resgates no fim do ano. Outro elemento relevante foi a circulação de aproximadamente R$ 40 bilhões após pagamentos realizados pelo Fundo Garantidor de Créditos relacionados ao Banco Master, o que ampliou a liquidez no sistema.
O desempenho dos fundos também superou expectativas. Os produtos de renda fixa classificados como Duração Livre e Crédito Livre apresentaram rendimento de 1,78% em janeiro, acima do CDI, que ficou em 1,16% no período. Foi o primeiro mês em que esses fundos superaram o indicador após três resultados consecutivos abaixo da referência.
No acumulado de 12 meses, a rentabilidade da classe correspondeu a 103% do CDI. O patrimônio líquido dos fundos de renda fixa considerados ex-soberanos também cresceu de forma expressiva, com aumento de R$ 115 bilhões em janeiro, impulsionado principalmente por captações de R$ 71 bilhões.
Concorrência com produtos bancários e cenário externo
Mesmo com a melhora no crédito privado, instrumentos bancários tradicionais continuam disputando a preferência dos investidores. O volume de Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio apresentou queda de R$ 11 bilhões em janeiro, sem considerar rendimentos, após avanço de R$ 5 bilhões em dezembro. Ainda assim, no período de 12 meses, esses papéis acumulam crescimento de R$ 55 bilhões, mantendo relevância no mercado.
O ambiente econômico global também contribuiu para o desempenho dos ativos. A gestora Capitânia avaliou o cenário fiscal brasileiro e destacou em relatório que “Os fatos são dados: 2025 fechou com um déficit primário de 0,4% do PIB e a dívida pública atingiu 78% do PIB. Nada disso é comemorável, mas tampouco é motivo para pânico imediato”. A análise indica que fatores externos tendem a influenciar mais intensamente os preços dos ativos no curto prazo.

