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Geopolítica

Cúpula global de IA na Índia busca definir regras e expõe disputa por poder tecnológico

Evento reúne chefes de Estado e líderes das big techs para discutir governança, riscos e uso econômico da inteligência artificial

Cúpula global de IA na Índia busca definir regras e expõe disputa por poder tecnológico

Líderes políticos, executivos e representantes internacionais se reúnem, nesta quinta-feira (19) em Nova Delhi, na Índia, para discutir o futuro da inteligência artificial em uma cúpula que busca estabelecer princípios globais para o uso da tecnologia.

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A Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial pretende criar bases comuns para governança, segurança e aplicação prática da IA em escala global, em meio a disputas políticas e econômicas sobre quem deve definir as regras desse mercado em expansão.

Fórum internacional tenta definir governança da IA

Segundo a CNN, a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial é um dos principais fóruns internacionais voltados à discussão sobre governança, segurança e aplicação prática da tecnologia.

Além disso, a proposta central da cúpula é discutir regras globais para o desenvolvimento da IA, o que gera embates ideológicos entre países que defendem regulação forte e aqueles alinhados às grandes empresas de tecnologia, contrários a controles externos.

Ao mesmo tempo, o encontro inclui uma grande exposição com estandes corporativos, onde empresas tentam consolidar parcerias e ampliar presença comercial.

A reunião representa a quarta edição anual do fórum, criado em 2023 no Reino Unido. Nesse sentido, a edição atual ganha peso político por ser a primeira realizada em um grande país em desenvolvimento, com foco em impactos econômicos, sociais e ambientais da inteligência artificial.

A proposta inclui discutir uso em políticas públicas, educação, mercado de trabalho e sustentabilidade, além da criação de documentos técnicos e declarações conjuntas para orientar países em desenvolvimento.

Líderes defendem regulação

De acordo com a Isto é Dinheiro, a cúpula reúne chefes de Estado e magnatas da tecnologia para debater oportunidades e riscos da IA.

A expectativa é que uma declaração conjunta seja assinada ao fim do evento com diretrizes para regulação da tecnologia.

O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que o mundo precisa regulamentar a IA “urgentemente”, sugerindo inclusive a criação de um órgão internacional semelhante à Agência Internacional de Energia Atômica.

Além disso, discursos de líderes políticos destacaram preocupações com impactos no mercado de trabalho, educação e informação.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu a criação de um fundo global bilionário para ampliar o acesso à tecnologia, enquanto Macron reforçou a ideia de supervisão segura aliada à inovação.

Paralelamente, a Índia busca atrair investimentos massivos para infraestrutura digital, estimados em centenas de bilhões de dólares, o que pode reposicionar o país no cenário global de tecnologia.

Agenda amplia temas sociais e ambientais

Conforme a SWISSINFO.CH (SWI), o fórum propõe definir uma “rota comum para a governança e colaboração global em IA”, abordando temas que vão desde emprego até segurança infantil.

A edição atual é considerada a maior já realizada, com dezenas de milhares de visitantes, delegações ministeriais e líderes políticos.

Além disso, a cúpula trabalha com três princípios centrais, pessoas, progresso e planeta que orientam debates sobre uso responsável da tecnologia.

Painéis discutem aplicações práticas, como segurança no trânsito e inclusão digital de mulheres no sul da Ásia.

Contudo, especialistas alertam que mudanças necessárias para proteger grupos vulneráveis podem não ocorrer com a rapidez exigida.

Ao mesmo tempo, há preocupação crescente com efeitos econômicos, especialmente em setores como atendimento ao cliente e suporte técnico, altamente expostos à automação.

Em contrapartida, novos empregos ligados a dados e adaptação linguística podem surgir, redesenhando o mercado de trabalho global.

Divergências políticas dificultam consenso

Segundo a EuroNews, líderes mundiais ainda não chegaram a um consenso sobre como regulamentar a inteligência artificial, apesar do objetivo declarado de criar uma estrutura unificada.

Emmanuel Macron defendeu medidas de segurança para evitar abusos digitais e argumentou que a tecnologia não deve ficar concentrada nas mãos de poucas empresas.

Além disso, Narendra Modi destacou que a IA deve ser tratada como recurso compartilhado para benefício global, defendendo inclusão e valores humanos no desenvolvimento tecnológico.

Executivos do setor também apresentaram visões distintas: enquanto Sam Altman reforçou a urgência da regulação, Dario Amodei alertou para riscos futuros ligados ao avanço acelerado da tecnologia, incluindo impactos profundos sobre empregos e segurança.

Pressão por acesso aberto e disputa geopolítica

Conforme a Al Jazeera, o secretário-geral da ONU alertou que o futuro da inteligência artificial não pode ficar sujeito aos “caprichos de alguns bilionários”, defendendo acesso aberto e colaboração internacional.

O encontro também reforça a tentativa da Índia de fortalecer sua posição global no setor, aproveitando o fato de sediar a primeira edição em um país em desenvolvimento.

Além disso, a agenda inclui temas como segurança infantil, regulação e impactos no mercado de trabalho, mostrando que a discussão vai além da inovação tecnológica.

Ausência de Gates e bastidores do evento

Segundo a BBC, a desistência de Bill Gates de participar da cúpula gerou repercussão internacional.

A Fundação Gates informou que a decisão foi tomada após “cuidadosa consideração” para manter o foco nas prioridades do evento, em meio a controvérsias envolvendo o nome do empresário em documentos judiciais nos Estados Unidos conhecidos como arquivos de Epstein.

Além disso, o evento foi marcado por discussões sobre democratização da IA, investimentos em infraestrutura e promessas de criação de empregos.

Delegados de mais de 100 países participam da cúpula, que também enfrenta críticas relacionadas à organização logística e episódios de má gestão no primeiro dia.

Paralelamente, anúncios de investimentos reforçam o interesse global em transformar a Índia em um polo tecnológico estratégico.

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