A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi afirmou, nesta sexta-feira (20), que pretende adotar uma linha mais firme na área de segurança e ampliar a capacidade militar do país, ao mesmo tempo em que busca manter estímulos econômicos. Em discurso no Parlamento após uma vitória eleitoral expressiva, a líder destacou a necessidade de revisar a estratégia de defesa e reduzir dependências externas consideradas estratégicas.
Segundo o Correio Braziliense, a chefe de governo alertou para o que classificou como aumento de pressões geopolíticas na Ásia, especialmente envolvendo a atuação chinesa em áreas marítimas disputadas. Ela também indicou que o Japão vive um momento decisivo em termos de segurança regional e preparação militar.
A fala ocorre poucos dias depois de o Partido Liberal Democrático consolidar maioria qualificada no Legislativo, o que reduz a resistência política interna e amplia a margem de manobra para mudanças estruturais. A nova configuração parlamentar deve facilitar a revisão de políticas de defesa e regras sobre exportações militares.
Em seu pronunciamento, Takaichi foi direta ao abordar a conjuntura internacional. “A China está intensificando suas tentativas de alterar unilateralmente o ‘status quo’ pela força ou a coerção no Mar da China Oriental e no Mar da China Meridional, ao mesmo tempo que amplia e reforça suas atividades militares nas áreas ao redor do nosso país”, afirmou.
Revisão militar e exportações de armas
A primeira-ministra disse que pretende revisar ainda neste ano os três principais documentos que orientam a política de segurança japonesa. A atualização deve levar em conta novas formas de conflito, além da necessidade de preparação para crises prolongadas. O objetivo é adaptar a estratégia nacional a um ambiente considerado mais instável.
Ela também sinalizou abertura para flexibilizar restrições históricas impostas pelo próprio país à exportação de armamentos. “Isso contribuirá para reforçar a capacidade de dissuasão e resposta de nossos aliados e parceiros próximos. Também ajudará a fortalecer a base de produção de defesa do Japão e seu capítulo de tecnologias civis”, declarou.
Outra frente mencionada envolve o fortalecimento das cadeias de suprimentos e a redução da dependência de países específicos em setores estratégicos. Entre as áreas citadas estão minerais críticos, energia e tecnologias sensíveis. A proposta inclui cooperação com aliados e maior controle sobre investimentos estrangeiros em segmentos considerados sensíveis, de acordo com a Reuters.
O discurso também reforçou preocupações mais amplas com o cenário regional. A premiê afirmou que o país enfrenta o “ambiente de segurança mais grave e complexo” desde a Segunda Guerra Mundial, mencionando não apenas a China, mas também a Rússia e a Coreia do Norte como fatores de instabilidade.
Impactos econômicos e sinalização ao mercado
Apesar da ênfase na segurança, Takaichi buscou tranquilizar investidores ao comentar a política fiscal. A líder afirmou que pretende estimular crescimento sem comprometer a confiança do mercado, em um contexto de inflação persistente e dívida pública elevada.
“Não vamos adotar uma política fiscal imprudente que abale a confiança do mercado”, declarou. Em seguida, reforçou que pretende manter incentivos a setores estratégicos para estimular investimentos internos. “Vou continuar apertando o botão do crescimento”, disse, ao mencionar áreas como infraestrutura, saúde, energia e cibersegurança.
No campo energético, a premiê também indicou que pretende acelerar a reativação de reatores nucleares desativados após o desastre de Fukushima, ocorrido em 2011. A medida faz parte de um plano mais amplo para garantir segurança energética e reduzir custos no médio prazo.
A postura firme em relação à China ocorre após episódios recentes de tensão diplomática. No fim do ano passado, Takaichi gerou reação negativa de Pequim ao sugerir que o Japão poderia agir militarmente caso um conflito envolvendo Taiwan ameaçasse o território japonês. A declaração levou autoridades chinesas a alertarem cidadãos sobre viagens ao país.
Com maioria robusta no Parlamento e uma agenda que combina segurança e crescimento econômico, a primeira-ministra inicia uma fase de menor resistência política interna. A expectativa agora recai sobre a velocidade e a profundidade das mudanças, que podem redefinir o papel do Japão no cenário internacional nos próximos anos.

