Quando as urnas eletrônicas são desligadas às 17h (horário de Brasília), começa uma operação nacional que envolve mesários, Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em poucas horas, os votos de todo o país são somados e divulgados publicamente, um processo que combina camadas de segurança, fiscalização permanente e tecnologia própria.
Antes da votação
O primeiro passo para garantir a integridade da eleição ocorre antes mesmo de o eleitor chegar à seção. Cada urna imprime um documento chamado zerézima. O TSE identifica esse relatório como uma lista que comprova que aquele equipamento está com zero votos.
A impressão é acompanhada por: mesários, presidente da seção, fiscais de partidos. Todos assinam o documento. Somente após esse procedimento a urna pode receber votos. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral.
O encerramento da votação e o boletim de urna
Às 17h, o presidente da seção encerra a votação com uma senha. A urna imprime cinco vias do Boletim de Urna (BU), um extrato com o número total de votos para cada candidato, votos brancos, nulos e total de eleitores. O BU não revela a ordem em que os votos foram registrados, já que o equipamento embaralha automaticamente as informações para preservar o sigilo do eleitor.
O destino das vias é o seguinte:
- Uma cópia é afixada na porta da seção para consulta pública;
- Três vias seguem para o cartório eleitoral;
- Uma é entregue aos fiscais dos partidos.
- Se necessário, mais cópias podem ser impressas.
Após a impressão
Encerrado o trabalho na seção, as urnas e seus cartões de memória são enviados aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). É ali que ocorre uma etapa crucial: a checagem da autenticidade dos dados.
Os técnicos analisam: se alguma das 30 camadas de segurança foi violada, o log da urna, espécie de “caixa-preta” que registra todas as operações do equipamento. Somente depois dessa validação é feita a transmissão dos resultados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) através de uma Rede Privada Virtual (VPN).
A VPN é uma rede exclusiva da Justiça Eleitoral, não passa pela internet, o que evita ataques cibernéticos e garante isolamento total na comunicação.
A totalização no TSE
Recebidos os arquivos criptografados, o TSE realiza a soma final utilizando supercomputadores: Oracle Exadata X8 Full Rack, com um segundo equipamento do mesmo modelo como reserva.
Segundo o TSE, as máquinas ficam em uma sala-cofre, com acesso restrito a apenas três servidores autorizados. Para entrar, é necessário: chave guardada em outro cofre, crachá especial e a leitura simultânea da impressão digital de dois dos três técnicos.
Toda a totalização é pública e pode ser acompanhada por qualquer cidadão nos sistemas Divulga e DivWeb. O TSE ainda repassa os resultados para veículos de rádio, TV e internet. Em eleições nacionais, os resultados costumam estar disponíveis poucas horas após o encerramento da votação.
Auditoria das urnas
Além da fiscalização permanente, a Justiça Eleitoral realiza um procedimento oficial chamado Auditoria de Funcionamento das Urnas, conhecido anteriormente como votação paralela.
Como funciona:
- 30 dias antes da eleição, cada TRE monta uma comissão com juízes e servidores especializados;
- 20 dias antes, o tribunal anuncia o local da auditoria;
- Na véspera da votação, urnas são sorteadas publicamente e levadas para salas filmadas nos TREs;
- São preparadas cédulas de papel (entre 75% e 82% do número de eleitores da seção), preenchidas por representantes de partidos e entidades;
- No domingo, os votos dessas cédulas são digitados na urna e simultaneamente em um sistema paralelo;
- Ao final, os boletins de urna são comparados, eles precisam ser idênticos.
O processo é acompanhado por fiscais, Ministério Público, OAB, Polícia Federal, universidades, especialistas em computação e empresas de auditoria contratadas pelo TSE. Vários TREs transmitem ao vivo pelo YouTube. Desde sua criação, a auditoria nunca registrou divergência entre os votos digitados e o resultado final da urna.
A totalização nos TREs e a soma final dos votos válidos
Após receberem os dados das seções, os TREs iniciam a soma dos boletins de urna. Em regiões de difícil acesso, comunidades ribeirinhas, aldeias e áreas remotas, a transmissão pode ocorrer por satélite.
É importante lembrar que votos nulos e brancos não entram na conta dos votos válidos, que são os que definem os eleitos.
Por que o sistema é considerado seguro?
O modelo brasileiro é reconhecido internacionalmente por reunir três pilares:
- Transparência: qualquer cidadão pode acompanhar a totalização;
- Segurança: transmissão sem internet, com criptografia e múltiplas barreiras de verificação;
- Fiscalização permanente: partidos, entidades independentes e especialistas acompanham todas as etapas.
Por isso, o Brasil consegue divulgar resultados nacionais com rapidez, precisão e auditabilidade pública.
Resumo rápido
Quando as urnas eletrônicas são desligadas às 17h, começa uma operação nacional. Antes da votação: Cada urna imprime a zerésima, comprovando que ela começa o dia com zero votos. Mesários e fiscais assinam o documento.
A urna imprime o Boletim de Urna (BU), que mostra quantos votos cada candidato recebeu, sem revelar a ordem dos votos. Uma via fica na porta da seção, outras vão para o cartório e para fiscais. As urnas e cartões são enviados ao TRE, onde técnicos verificam se tudo é autêntico e se nenhuma camada de segurança foi violada.
Só então os dados são enviados ao TSE por uma rede própria (VPN) que não usa internet. Supercomputadores somam os votos, em uma sala-cofre com acesso super restrito. Os resultados são divulgados ao público em tempo real pelos sistemas do TSE e para a imprensa.

