Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou, neste domingo (22), que a nova tarifa global de 15% imposta por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, favorece o Brasil ao estabelecer regras iguais para todos os exportadores.
Segundo o vice-presidente, antes dessa mudança, enquanto concorrentes internacionais pagavam alíquotas menores, os produtos brasileiros chegaram a enfrentar taxas de até 50%. Com essa padronização, o Brasil recupera a competitividade no mercado norte-americano, avaliou o mesmo. As informações são da CBN.
Mais exportações
Essa medida de aumentar as tarifas de 10% para 15% foi anunciada um dia após a ilegalidade reconhecida pela Suprema Corte americana, na sexta-feira (20).
Para Alckmin, essa nova taxa ajudará ainda mais o Brasil a exportar para os EUA, gerar mais emprego e renda no país e conquistar mais mercado. “É justa, porque a tarifa média de entrada dos produtos americanos no Brasil é 2,7%. E os Estados Unidos têm déficit com o mundo inteiro, praticamente”, afirmou.
O vice-presidente já havia se posicionado sobre esse mesmo assunto na sexta-feira, dizendo que “a negociação continua, o diálogo continua”, de acordo com o Poder360.
Investigações sobre o PIX
Outra questão levantada pelo ministro foi a continuidade das investigações sobre o Pix, que foi aberta em julho de 2025, mesmo com a Suprema Corte norte-americana tendo declarado as tarifas ilegais.
O USTR informou que pretende prosseguir com essas investigações em andamento da Seção 301, incluindo as que envolvem o Brasil e a China. O órgão ainda indicou que esse processo pode ser utilizado para servir como justificativa a adoção de novas tarifas.
“O que nos preocupa é a chamada Seção 301, mas ela vai ser esclarecida. O Pix é um exemplo para o mundo de você ter uma medida que é altamente benéfica à população, sem custo, com garantia, com segurança. Outras questões abordadas vão ser esclarecidas. Isso já aconteceu no passado e o Brasil esclareceu”, declarou Alckmin.
Negociações comerciais
De acordo com informações do InfoMoney, com viagem marcada aos Estados Unidos em março, o presidente Luiz Inácio da Silva Lula fará mais reuniões com a maior economia do mundo pautadas em negociações comerciais.
“Há uma avenida de negociação ainda, para questões também não tarifárias. Embora não seja o maior comprador do Brasil, os EUA é quem compra produtos industriais, então é um avanço especialmente importante”, disse o ministro.
Alckmin ainda destacou que o Brasil atingiu seu recorde de exportações no ano passado, mesmo com o tarifaço imposto por Trump. Ao todo, o montante superou o valor de U$S 348 bilhões, graças à diversificação de mercados, segundo ele.
Mercosul e eleições
O vice-presidente ainda ressaltou que o acordo entre Mercosul e a União Europeia (UE) deve ser aprovado nesta terça-feira (24), na comissão da Câmara. “É o maior acordo entre blocos do mundo. São mais de US$ 22 trilhões e 720 milhões de pessoas neste mercado”, pontuou.
Quando perguntado sobre possível candidatura neste ano aos cargos de governador ou senador em São Paulo, Alckmin foi evasivo e apenas afirmou que “cada coisa virá a seu tempo”.

