O mercado financeiro diminuiu as projeções de inflação e da taxa básica de juros para este ano de 2026, segundo o relatório Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira (23). As estimativas também indicam leve alta do crescimento econômico e ajustes pontuais no câmbio e nas contas externas.
A mediana das expectativas para o IPCA deste ano passou de 3,95% para 3,91%, após estar em 4,00% há quatro semanas. Para 2027, 2028 e 2029, as previsões foram mantidas em 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente.
Em curto prazo, as estimativas mensais de inflação recuaram para 0,45% em fevereiro, 0,33% em março e 0,39% em abril. O índice de preços administrados para 2026 ficou em 3,67%, enquanto a projeção do IGP-M caiu para 3,71%.
PIB e Selic
A previsão para a taxa Selic ao final de 2026 passou de 12,25% para 12,13%. Para os anos seguintes, as projeções permaneceram em 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029.
A expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 subiu de 1,80% para 1,82%. Para 2027, a projeção permaneceu em 1,80%, e para 2028 e 2029, em 2,00%.
No câmbio, a estimativa para o dólar ao fim de 2026 caiu de R$ 5,50 para R$ 5,45. As projeções ficaram em R$ 5,50 em 2027 e 2028 e R$ 5,52 em 2029.
Balança comercial
O déficit em conta corrente foi projetado em US$ 67,7 bilhões em 2026 no setor externo. Na balança comercial, passou para US$ 68,38 bilhões. A previsão de investimento direto no país permaneceu em US$ 75 bilhões.
Entre os indicadores fiscais, a dívida líquida do setor público foi estimada em 70,0% do PIB, com resultado primário de -0,50% do PIB e resultado nominal de -8,58% do PIB.
Estimativas de fevereiro
O Brasilianista publicou sobre as estimativas do mercado em 09 de fevereiro. A projeção para a inflação havia sido levemente revisada para baixo, passando a 3,97%. Quatro semanas antes, estava em 4,05% e, na semana anterior, em 3,99%.
Para 2027, 2028 e 2029, as estimativas permanecem estáveis em 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente.
A expectativa para a Selic em 2026 seguiu em 12,25% ao ano. Em 2027, o mercado mantém a previsão de 10,50%. Para 2028, houve pequeno ajuste, de 9,88% para 10,00%, patamar que também é projetado para 2029.
No câmbio, a projeção do dólar permanece em R$ 5,50 para 2026 e 2027. Para 2028, houve leve revisão de R$ 5,52 para R$ 5,50, enquanto em 2029 a expectativa continua em R$ 5,57.
As contas externas seguem indicando déficit em conta-corrente: US$ 68,2 bilhões negativos em 2026 e US$ 65 bilhões negativos em 2027. Para 2028 e 2029, as projeções são de déficits de US$ 64,2 bilhões e US$ 64 bilhões, respectivamente.
Já a balança comercial apresenta revisões positivas: superávit estimado em US$ 67,5 bilhões em 2026, US$ 72,15 bilhões em 2027, US$ 74,5 bilhões em 2028 e US$ 75 bilhões em 2029.
O que mudou desde o início de fevereiro?
Na comparação entre o boletim Focus de 9 de fevereiro e o divulgado em 20 de fevereiro, o mercado reduziu a projeção de inflação para 2026 de 3,97% para 3,91%.
A expectativa para a taxa Selic também caiu, de 12,25% para 12,13% neste ano. No câmbio, a previsão do dólar ao fim de 2026 passou de R$ 5,50 para R$ 5,45 e a de 2029 de R$ 5,57 para R$ 5,52.
No setor externo, o déficit em conta corrente projetado para 2026 diminuiu de US$ 68,2 bilhões para US$ 67,7 bilhões, enquanto o superávit da balança comercial subiu de US$ 67,5 bilhões para US$ 68,38 bilhões.
Para os anos seguintes, houve apenas ajustes pontuais, com pequena alta em 2027, revisão para baixo em 2028 e estabilidade em 2029. O investimento direto no país em 2026 passou de US$ 74,35 bilhões para US$ 75 bilhões, mantendo-se inalterado no horizonte posterior.

