O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos e ampliou a repercussão política e financeira em torno do empresário Daniel Vorcaro. O foco mais recente recai sobre um ex-dirigente ligado a operações do banco que passou a ser investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a apostas ilegais. A revelação adiciona mais um elemento à crise que já atinge instituições financeiras, órgãos de controle e o mercado.
Segundo o Estadão, o ex-funcionário do Master e dirigente da Tirreno, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, passou a ser investigado pela Polícia Civil de São Paulo em um inquérito sigiloso. Ele teria atuado como sócio principal de uma empresa apontada como peça-chave em uma estrutura usada para movimentar recursos provenientes de apostas ilegais. A defesa afirma que não houve qualquer irregularidade e que a inocência será comprovada.
A investigação ganhou peso por envolver alguém que ocupou posição relevante em negócios ligados ao Master, banco que já vinha sendo alvo de questionamentos sobre operações envolvendo créditos considerados de baixa qualidade.
Suspeitas ampliam crise já instalada
A suspeita surge em meio às controvérsias sobre operações financeiras realizadas pelo Master antes da tentativa de fusão com o Banco de Brasília. André Maia teve ligação direta com a Tirreno, empresa associada à origem de carteiras de crédito posteriormente negociadas pelo banco.
Entre janeiro e maio de 2025, a Tirreno teria transferido cerca de R$ 6,7 bilhões em créditos ao Master. Posteriormente, esses ativos foram vendidos ao BRB por aproximadamente R$ 12,2 bilhões. Investigações apontam que parte desses créditos não teria lastro claro, o que levantou suspeitas sobre a origem e a qualidade dos ativos.
A Polícia Federal classificou os créditos como potencialmente inexistentes ou irregulares, sustentando a hipótese de que a empresa funcionaria como fachada. Esse ponto já vinha alimentando a crise institucional envolvendo o banco e órgãos de fiscalização, e agora ganha novos contornos com o avanço de outras investigações paralelas.
Nova frente envolve apostas ilegais
Em outra linha investigativa, autoridades passaram a apurar a atuação de empresas associadas a Maia em um esquema que movimentaria recursos de apostas online ilegais. A polícia aponta que uma intermediadora de pagamentos ligada ao empresário teria gerenciado contas utilizadas para receber valores de plataformas irregulares.
Os investigadores afirmam que essas estruturas funcionariam como porta de entrada para dinheiro de apostadores, com posterior fragmentação e redistribuição dos valores para dificultar o rastreamento. O modelo envolveria contas conhecidas como contas-bolsão, utilizadas para concentrar recursos de diversas origens sem identificação clara.
Esse mecanismo já foi identificado em outras apurações envolvendo organizações criminosas, por permitir misturar valores e dificultar a identificação da origem dos recursos dentro do sistema financeiro.
Mudanças societárias levantam suspeitas
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a alteração repentina na estrutura societária de uma das empresas investigadas. Após diligências policiais realizadas em março de 2025, sócios ligados à companhia deixaram oficialmente o quadro societário.
Poucos dias depois da visita das autoridades, houve renúncia coletiva de dirigentes, incluindo Maia. Em seguida, a empresa mudou de nome e passou a operar sob nova identidade empresarial. Para a polícia, a sequência de mudanças pode indicar tentativa de reorganização societária ou ocultação de controle.
As autoridades avaliam que o movimento ocorreu em um momento sensível, quando as operações envolvendo o Master e a Tirreno já estavam sob escrutínio.
Conexões indiretas aumentam repercussão
Apesar das investigações sobre apostas ilegais não indicarem ligação direta com as transações financeiras envolvendo o banco, fontes próximas a órgãos reguladores avaliam que o caso amplia a dimensão do problema. A existência de múltiplas frentes investigativas sugere que o esquema pode ser mais complexo do que inicialmente se imaginava.
O fato de o empresário investigado ter ocupado posições estratégicas em operações relevantes para o Master intensifica a repercussão pública e política do caso. Especialistas avaliam que isso tende a aumentar a pressão sobre órgãos reguladores e instituições envolvidas.
A crise ganhou maior visibilidade desde que vieram à tona as negociações envolvendo ativos considerados problemáticos e a tentativa de fusão anunciada em março de 2025.
Defesa nega irregularidades
A defesa de André Maia sustenta que não houve prática ilícita e afirma confiar no andamento das investigações. O advogado do empresário declarou que a inocência será demonstrada ao longo do processo, que ainda está em fase preliminar.
O posicionamento reforça que não há conclusão judicial sobre os fatos e que as apurações seguem em sigilo. Ainda assim, o avanço das investigações e a multiplicação de suspeitas aumentam o impacto reputacional do caso.
A ampliação das suspeitas em torno de figuras ligadas ao banco tende a manter o tema em evidência nas próximas semanas. O caso reúne elementos que interessam ao mercado financeiro, à esfera política e a órgãos de controle, o que contribui para a continuidade da repercussão.

