No Rio de Janeiro, a política nunca é apenas institucional, é coreografia. E em ano eleitoral, os movimentos começam a ganhar ritmo de ensaio geral. O que está em jogo não é apenas o Palácio Guanabara, mas o peso simbólico e eleitoral de um dos maiores colégios eleitorais do país na disputa pelo Planalto.
De um lado, o senador Flávio Bolsonaro organiza o tabuleiro fluminense como quem monta um palanque presidencial antecipado. Ao anunciar, ao lado do governador Cláudio Castro, a composição da chapa majoritária do PL no estado, ele sinaliza mais do que uma estratégia local: constrói uma muralha política para 2026. A definição de Castro e do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, para o Senado, além da articulação envolvendo Carlos Portinho e Altineu Côrtes na Câmara, consolida o controle do partido sobre as principais vitrines eleitorais do Rio.
No Palácio Guanabara, a aposta é ter um vice do PL, Rogério Lisboa, prefeito de Nova Iguaçu, compondo com o nome que o grupo apoiar ao governo estadual. Trata-se de um desenho clássico de blindagem territorial: fortalecer o Executivo estadual e garantir musculatura no Congresso. Para um pré-candidato à Presidência, como Flávio, isso significa palanque robusto, tempo de televisão e capilaridade.
Eduardo Paes
Do outro lado, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, também dança conforme o compasso nacional. Pré-candidato ao governo do estado, ele selou aliança com o MDB de Washington Reis e recebeu o aval explícito do presidente Lula (PT). O gesto vai além da política estadual, é a construção de um palanque lulista competitivo no Rio.
A escolha de Jane Reis como vice tem dupla função. Primeiro, amplia a base partidária ao incorporar o MDB. Segundo busca diálogo com o eleitorado evangélico, segmento decisivo no estado. Mas a reação do pastor Silas Malafaia, que rompeu com Paes e lançou outro nome em seu círculo de influência, expõe a fragmentação desse campo. No Rio, apoio evangélico não se decreta; disputa-se.
O jogo
O pano de fundo é claro, quem dominar o Rio em 2026 terá um palanque de peso na corrida presidencial. O estado concentra visibilidade midiática, densidade eleitoral e forte influência simbólica. É palco literal e político. Não por acaso, Paes e Lula dividiram holofotes no Carnaval, inclusive no desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente e provocou reações da oposição. No Rio, até o samba vira sinalização eleitoral.

