A inadimplência dos brasileiros que receberam créditos de recursos livres, ou seja, diretamente em negociação com o banco, aumentou para 5,5% em janeiro, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Banco Central (BC).
Segundo o g1, esse é a maior taxa de inadimplência em empréstimos de recursos livres desde agosto de 2017. Ao mesmo tempo, a o nível de dívidas relacionadas à carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) aumentou 0,2 pontos percentuais (p.p) no mês, alcançando 4,2%.
Para as empresas, a inadimplência do crédito aumentou 0,2 p.p., assim como no crédito às famílias (+0,2 p.p.), consolidando os dados do período em 2,6% e 5,2%, respectivamente.
Nos casos de recursos livres, a falta de pagamento aumentou 0,1 p.p no mês, atingindo o histórico nível de 5,5%. As pessoas físicas seguiram na liderança dos mais endividados desse grupo, apesar da taxa de inadimplência ter permanecido estável, em 6,9%. Porém, a taxa das pessoas jurídicas cresceu 0,2 p.p., situando-se em 3,3%.
Em boa parte, isso pode ser justificado pela alta dos juros. O Bacen indicou que a taxa média de juros no crédito livre às pessoas físicas alcançou 61,0% a.a., com acréscimos de 0,9 p.p. no mês e de 6,7 p.p. em doze meses. As operações que mais cobraram juros dos consumidores foram as de cartão de crédito parcelado (+6,8 p.p.), crédito pessoal não consignado (+1,5 p.p.), financiamento para aquisição de veículos (+1,3 p.p.) e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (+1,2 p.p.).
Os dados do BC ainda mostram que ao final de 2025 quase metade das famílias brasileiras estavam endividadas (49,7%), representando um aumento de 1,3 p.p. em doze meses. Já o comprometimento de renda atingiu 29,2% em 2025, com variação positiva de 1,7 p.p. em doze meses.
Por outro lado, o saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$7,1 trilhões em janeiro, uma diminuição de 0,2% no mês. Esse movimento foi causado pela queda de 1,7% da participação de pessoas jurídicas com saldo na carteira, enquanto as pessoas físicas complementaram 0,7% sua participação. No mês, os estoques alcançaram, respectivamente, R$2,7 trilhões e R$4,5 trilhões.
Mais de 80 milhões de inadimplentes no Brasil
Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, em janeiro o volume de inadimplentes bateu recordes. No total, são 81,3 milhões de brasileiros endividados, o que consolida o mês com o maior número de inadimplentes em toda a série histórica, após 13 meses consecutivos de alta.
A faixa etária entre 41 e 60 anos representam a maior fatia da população com nome sujo, representando 35,6% dos inadimplentes. Em seguida aparecem os brasileiros entre 26 a 40 anos (33,4%), acima de 60 anos (19,9%) e os jovens entre 18 e 25 anos (11,1%).
Durante o mês de janeiro, o valor médio de cada acordo realizado na plataforma do Serasa foi de R$ 795. No total, a plataforma de negociação de dívidas somou mais de R$ 11,1 bilhões de descontos concedidos em janeiro.

