O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta quarta-feira (25) que a tarifa comercial anunciada pelo presidente Donald Trump aumentará para 15% ou mais para alguns países.
Ele disse que a tarifa de 10% pode aumentar para algumas regiões, mas não citou parceiros comerciais específicos que possivelmente seriam atingidos pela sansão comercial. O representante também não forneceu mais detalhes.
Em entrevista ao programa “Mornings with Maria”, da Fox Business Network, Greer ainda comentou que o governo Trump não deve aumentar as tarifas sobre produtos chineses acima dos níveis atuais. Vale lembrar que o republicano deve visitar a China nas próximas semanas.
“No momento, temos uma tarifa de 10%. Ela subirá para 15% para alguns e poderá subir ainda mais para outros, e acho que estará em linha com os tipos de tarifas que temos visto”, afirmou Greer.
Quais tarifas dos EUA estão aplicadas sobre parceiros comerciais?
Uma nova tarifa de 10% sobre todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos começou a ser aplicada na úlitma terça-feira (24) para boa parte dos produtos importados ao país norte-americano.
O novo tarifaço global anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ficará vigente por 150 dias, sujeito à aprovação do Congresso.
A medida ocorre após a Suprema Corte barrar as tarifas recíprocas baseadas em dispositivos da Lei de Política Econômica de Investimento Indo-Econômica (IEEPA, na sigla em inglês).
Por meio dessa legislação, o governo Trump aplicou taxas de no mínimo 10% para seus parceiros comerciais, mas a medida foi interrompida pela Suprema Corte no último final de semana. Em resposta, o republicano publicou em sua rede social, Truth Social, que aplicaria uma nova tarifa de 10% globalmente e, no dia seguinte, aumentou o anúncio para taxas de 15%.
No entanto, como mostrou O Brasilianista anteriormente, Trump afirmou que, mesmo com a lei, afirmou que, para impor tarifas, não precisa da aprovação do Congresso.
Em comunicado, ele relatou que a medida tem como objetivo corrigir “décadas de práticas comerciais injustas” que prejudicaram a economia americana, na sua avaliação.
Esse novo modelo, com 10% de tarifas, pode prejudicar parceiros históricos da nação norte-americana, como Japão, Reino Unido e União Europeia, mas há países que ganham vantagens com a nova decisão, como é o caso do Brasil.
Apenas alguns produtos essenciais não foram taxados, como é o caso de minerais críticos, itens agrícolas e componentes eletrônicos.
Práticas comerciais desleais
Ainda durante a entrevista, Greer declarou que a medida é compatível com acordos comerciais que já existem. Vale lembrar que as novas tarifas substituem as taxas de emergência derrubadas pela Suprema Corte e estão baseadas na da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. As informações são da Reuters, divulgadas pelo InfoMoney.
Para o representante comercial americano, o governo Trump justifica a imposição das taxas a partir de investigações sobre práticas comerciais desleais nos termos da Seção 301 da mesma lei.
Segundo ele, a medida pretende atingir países que constroem capacidade industrial excessiva, utilizando trabalho forçado nas cadeias de abastecimento, o que, na sua visão, discriminam empresas de tecnologia dos EUA.
No entanto, Greer afirmou que a China não é um alvo de aumento das tarifas, apesar do governo americano seguir de olho nas questões industriais de empresas chinesas. Um possível aumento das taxas poderia perturbar uma delicada trégua comercial.
As investigações da Seção 301, relacionadas a possíveis práticas comerciais desleais com parceiros, tem o objetivo de servir como mecanismo de fiscalização dos acordos que o governo firmou nos últimos meses, como uma recém parceria com a Indonésia. No caso, o país asiático recebe uma tarifa de 19% dos produtos exportados aos EUA.
O representante afirmou que as investigações devem analisar a capacidade industrial e os subsídios à pesca da Indonésia, visando comparar com as medidas que o país está tomando para abordar as preocupações dos EUA e seus compromissos nos termos do acordo.
“E então tomaremos uma decisão sobre que tipo de tarifa deve ser aplicada. Esperamos ter continuidade no que estamos fazendo”, afirmou Geer.

