Operação da Polícia Federal, deflagrada nesta quarta-feira (25), investiga suposto esquema de desvio de recursos públicos ligados a emendas parlamentares e contratos administrativos. A chamada Operação Vassalos cumpre 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.
Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam para a possível existência de uma organização criminosa responsável por direcionar processos licitatórios para empresas previamente vinculadas ao grupo investigado. As principais acusações envolvem corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Envolvidos
Entre os nomes investigados por suspeita de formação de uma organização para desviar dinheiro para empresas vinculadas ao grupo está o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), bem como o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE). Foi alvo também o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).
O advogado de Fernando Bezerra Coelho e de seu filho Fernando Coelho Filho, André Callegari, afirmou à CNN que os mandados expedidos pelo ministro Flávio Dino foram enviados sem a devida fundamentação para justificar a medida. “Os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. Após o acesso aos a autos, a defesa irá se manifestar.”
Prefeitura de Petrolina pagou R$ 189 milhões
Durante a gestão do filho do ex-senador, Miguel Coelho, a empresa de parentes do ex-senador Fernando Bezerra Coelho teria recebido R$ 189 milhões da Prefeitura de Petrolina. A destinação de recursos permaneceu mesmo após o vice dele, Simão Durando Filho, assumir o posto, após a renúncia do titular, segundo informações da Veja.
“A Prefeitura de Petrolina vem utilizando recursos repassados pela Codevasf para contratar empresa pertencente a dois indivíduos, dos quais um é ‘primo por afinidade’ e o outro é o cunhado de outro primo do (ex)prefeito, com o uso de emendas parlamentares enviadas pelo pai e pelo irmão do então Chefe do Executivo Municipal”, disse a Polícia Federal.
A investigação aponta, que em 2017, a empresa Liga Engenharia passou de 27ª colocada entre as que mais receberam recursos da prefeitura de Petrolina. Em 2024, o nome passou a ocupar o primeiro lugar na lista de destinação de recursos públicos do município pernambucano, o que aumentou as suspeitas que corrupção. “A Liga Engenharia não prestou serviços para nenhum outro munícipio pernambucano, afora Petrolina, além do que não havia prestado qualquer serviço para esse mesmo município nas gestões anteriores”.
Em documento, a PF afirma que em todos os contratos da Liga Engenharia pela Codevasf e pelo Município de Petrolina tiveram a participação direta ou indiretamente de Fernando Bezerra Coelho e de seu filho.
Confira parte do documento:
“Todas as informações acima acerca de contratações da LIGA ENGENHARIA pela CODEVASF e pelo Município de Petrolina, com intervenção direta ou indireta de FERNANDO BEZERRA COELHO e/ou de FERNANDO FILHO, assumem contornos criminosos quando se verifica que a aludida construtora é de propriedade de não apenas um, mas dois familiares ‘por afinidade’ dos políticos”.

