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Economia

FGV: confiança da indústria sobe em fevereiro e indica melhora no setor

Indicadores mostram avanço gradual do ambiente industrial, enquanto empresários seguem cautelosos

FGV: confiança da indústria sobe em fevereiro e indica melhora no setor

O Índice de Confiança da Indústria avançou em fevereiro e registrou o terceiro mês seguido de alta, indicando melhora na percepção das empresas sobre o ambiente de negócios.

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O movimento ocorre em meio a sinais de recuperação gradual do setor, ainda que fatores como juros elevados e desafios macroeconômicos mantenham o ritmo de crescimento sob observação. As informações são da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Confiança industrial avança pelo terceiro mês seguido

A sondagem divulgada pela FGV mostra que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) chegou a 96,7 pontos em fevereiro, com alta de 0,6 ponto em relação a janeiro.

Nas médias móveis trimestrais, que suavizam oscilações mensais, o índice subiu 2,4 pontos, alcançando 96,4 pontos.

O levantamento aponta avanço da confiança em 12 dos 19 segmentos industriais pesquisados. A melhora foi puxada tanto pela avaliação do momento atual quanto pelas projeções para os próximos meses.

O Índice de Situação Atual subiu 1 ponto, para 97,4 pontos, enquanto o Índice de Expectativas avançou 0,3 ponto, chegando a 96 pontos. Isso significa que as empresas passaram a avaliar melhor o ambiente de negócios, embora ainda mantenham cautela.

Segundo o economista Stéfano Pacini, do FGV IBRE, o cenário mostrou normalização dos estoques e condições mais favoráveis para o funcionamento das empresas.

Ele ressalta, porém, que ainda é cedo para afirmar que essa trajetória será mantida, já que a política monetária restritiva segue como fator de pressão sobre a atividade.

Na comparação anual, o indicador ainda aparece abaixo do nível registrado em fevereiro do ano passado, com variação negativa de 1,9 ponto, mostrando que a recuperação ainda ocorre em ambiente desafiador.

Produção prevista em alta

Entre os componentes que influenciaram o resultado, o indicador ligado à situação atual dos negócios teve o maior avanço, com alta de 3,9 pontos, chegando a 95,6 pontos. O nível de estoques recuou para 101 pontos, sinalizando maior equilíbrio entre produção e demanda.

Quando esse indicador fica acima de 100, a leitura é de estoques ainda elevados, mas próximos da normalidade.

Já o índice que mede a demanda atual caiu 1,5 ponto, para 97,9 pontos, indicando que o consumo ainda não reage com a mesma intensidade.

Nas expectativas, o otimismo para os próximos seis meses subiu pelo quarto mês consecutivo, avançando 2,4 pontos e alcançando 94 pontos, o maior nível desde maio de 2025.

A produção prevista também cresceu, chegando a 102,5 pontos, melhor resultado desde dezembro de 2020.

Ao mesmo tempo, o indicador de expectativas de emprego recuou 4 pontos, para 91,7. O dado mostra que, mesmo com melhora na confiança, as empresas ainda evitam ampliar contratações até que o crescimento se consolide.

Outro dado observado foi o aumento do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI), que subiu para 81,6%.

Isso significa que as fábricas estão usando mais suas máquinas e estruturas produtivas, o que costuma indicar aquecimento gradual da atividade industrial.

A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 24 de fevereiro e a próxima divulgação da sondagem está prevista para março.

Juros altos mantêm empresários em alerta

Como divulgado pelo O Brasilianista, apesar da melhora observada na pesquisa da FGV, outro indicador mostra que o sentimento do setor industrial ainda é marcado por cautela.

Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria indicam que o Índice de Confiança do Empresário Industrial permanece abaixo da linha considerada neutra, acumulando mais de um ano em território de desconfiança.

O levantamento mostra que empresários avaliam o cenário atual como mais difícil para produzir, investir e ampliar operações.

A principal razão apontada é o custo elevado do crédito, reflexo da taxa básica de juros em patamar elevado.

Juros altos encarecem financiamentos usados para comprar máquinas, modernizar fábricas ou ampliar linhas de produção.

Isso também atinge consumidores, que passam a adiar compras de bens duráveis, como veículos e eletrodomésticos, reduzindo a demanda da indústria.

O Brasilianista destaca que, mesmo com expectativas ligeiramente positivas para o futuro, o ritmo de crescimento projetado para a economia segue moderado.

Quando as perspectivas de expansão são menores, empresas tendem a priorizar equilíbrio financeiro e adiar projetos de maior risco.

Esse comportamento impacta toda a cadeia produtiva. Pequenas e médias empresas que fornecem peças, serviços e matérias-primas podem sentir redução nas encomendas, o que desacelera o ciclo econômico.

Segurança jurídica entra no radar das empresas

A Confederação Nacional da Indústria acionou o Supremo Tribunal Federal para questionar mudanças em incentivos fiscais, argumentando que alterações nas regras podem afetar empresas que já haviam planejado investimentos de longo prazo.

Para o setor produtivo, estabilidade jurídica é um fator relevante porque projetos industriais costumam exigir alto investimento inicial e retorno distribuído ao longo de vários anos.

Mudanças inesperadas na tributação podem alterar cálculos financeiros e reduzir o interesse por novos projetos.

Esse cenário reforça a cautela observada entre empresários. Mesmo com sinais de melhora na confiança, decisões estratégicas tendem a ser tomadas de forma mais seletiva, priorizando operações consideradas seguras.

A combinação entre crédito caro, crescimento moderado e dúvidas regulatórias cria um ambiente em que empresas monitoram de perto os próximos movimentos da economia, especialmente possíveis mudanças na trajetória dos juros.

O que os indicadores significam para o consumidor?

Quando índices de confiança sobem, normalmente significa que empresários começam a enxergar condições melhores para produzir e vender.

Isso pode resultar em aumento gradual da atividade industrial, maior utilização das fábricas e, no médio prazo, geração de empregos.

No entanto, a melhora ainda não garante expansão imediata. A própria FGV aponta que fatores como juros elevados continuam limitando o ritmo de recuperação.

Para o consumidor, o impacto aparece de forma indireta. Uma indústria mais confiante tende a produzir mais, o que pode influenciar preços, oferta de produtos e investimentos em inovação. Já um ambiente de incerteza pode retardar esses movimentos.

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