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Política

Quem são os diplomatas indicados para chefiar embaixadas estratégicas do Brasil?

Senado avalia novos embaixadores para postos estratégicos e reforça a agenda externa do país

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A Comissão de Relações Exteriores do Senado (CRE) aprovou, nesta semana, uma série de indicações para chefias de embaixadas brasileiras em postos considerados estratégicos para a política externa.

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Os nomes ainda dependem de confirmação pelo Plenário do Senado Federal, mas, se aprovados, irão redesenhar a presença diplomática brasileira em territórios da Ásia, Oceania e África Oriental.

As informações são da Agência Senado. A seguir, O Brasilianista detalha quem são os indicados, quais países devem assumir e o que está em jogo em cada representação.

Coreia do Norte

O diplomata Ricardo Primo Portugal foi aprovado para chefiar a embaixada brasileira em Pyongyang, na República Democrática da Coreia do Norte. A indicação, no entanto, ainda será votada pelo Plenário.

Portugal ingressou na carreira diplomática em 1998 e construiu trajetória com forte atuação em temas asiáticos, incluindo passagens por postos na Ásia Oriental, em especial a China e as Coreias.

Também exerceu funções no Ministério das Relações Exteriores voltadas à região e na Embaixada de Quito. Atualmente, ocupa o cargo de ministro-conselheiro em Tirana, na Albânia.

As relações entre Brasil e Coreia do Norte foram estabelecidas em 2001.

No entanto, o comércio bilateral, que chegou a US$ 375 milhões em 2008, hoje, sofre forte retração e está praticamente paralisado, influenciado por sanções internacionais e pelo isolamento do país.

Dessa forma, o plano apresentado por Portugal prevê retomar investimentos interrompidos e buscar acordos na área agrícola. Nesse cenário, a reativação da embaixada pode representar um gesto de manutenção de canais diplomáticos, ainda que o impacto econômico não seja imediato.

Austrália e Pacífico

Para a embaixada em Camberra, na Austrália, foi aprovado o nome de Alexandre Peña Ghisleni.

Com 12 votos favoráveis e nenhum contrário, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou o nome do diplomata que, agora, deverá passar pela aprovação do Plenário. Se confirmado, ele acumulará as representações brasileiras em Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Fiji, Nauru e Vanuatu.

Ghisleni é diplomata desde 1994 e atualmente dirige o Departamento de Política Econômica, Financeira e de Serviços do Itamaraty. Sua experiência inclui passagens por Genebra, Washington e Havana.

Vale ressaltar que a Austrália é a 14ª maior economia do mundo e importante exportadora de minerais e produtos agrícolas. O comércio bilateral com o Brasil somou cerca de US$ 2,1 bilhões em 2024.

Mas, além do comércio, a pauta climática também deve ganhar peso. Afinal, países do Pacífico estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas, o que abre espaço para cooperação ambiental e fortalecimento da imagem brasileira como ator relevante na agenda climática global.

Nova Zelândia e ilhas do Pacífico

Pedro Murilo Ortega Terra foi aprovado para chefiar a embaixada em Wellington, na Nova Zelândia, acumulando também Samoa, Tonga, Kiribati e Tuvalu. Diplomata desde 1991, Terra já atuou em Nova Délhi, Nova York e Cantão, além de ocupar cargos ligados à Rússia, China e Ásia Central no Itamaraty.

O fluxo comercial entre Brasil e Nova Zelândia envolve produtos como derivados de petróleo, café e suco de laranja. Mas a cooperação também pode avançar em áreas como agricultura, ciência e tecnologia.

Já os pequenos Estados insulares do Pacífico apresentam mercados limitados, mas são relevantes no debate ambiental internacional, ampliando as alianças no multilateralismo climático.

“Estou à disposição das iniciativas do Senado, da diplomacia parlamentar, na esperança de que me caiba a honra de ser aprovado por esta Casa”, disse Terra aos senadores.

Quênia e África Oriental

Por fim, João Alfredo dos Anjos Juniorfoi aprovado para assumir a embaixada no Quênia, acumulando também Uganda, Burundi e Somália. Diplomata desde 1994, João Junior já atuou como cônsul-geral em Londres e exerceu funções estratégicas nas Relações Exteriores, incluindo negociações bilaterais.

O Quênia é, hoje, uma das principais economias da África Oriental, com PIB estimado em cerca de US$ 120 bilhões e posição estratégica como polo regional. O comércio bilateral com o Brasil ainda é modesto, cerca de US$ 94,7 milhões em 2024, mas tem fortes capacidades de progressão.

Assim, a ampliação da presença na região pode abrir oportunidades para o agronegócio, energia e cooperação técnica. Em países como Uganda e Burundi, a agricultura é eixo central da economia. Já a Somália, apesar do histórico de instabilidade, tem buscado reorganização com apoio internacional.

Quais são os próximos passos?

As indicações aprovadas pela CRE revelam uma estratégia que combina duas frentes principais: a diversificação de parceiros comerciais e a ampliação do diálogo com regiões emergentes.

Se confirmados pelo Plenário do Senado Federal, os novos embaixadores assumirão postos que vão além da diplomacia protocolar. Afinal de contas, em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e pressão climática, a atuação brasileira nessas frentes pode influenciar tanto a inserção econômica quanto a imagem do país no exterior.

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