A decisão da Fictor Asset de encerrar um fundo com cerca de R$ 270 milhões marca mais um desdobramento da crise envolvendo o grupo financeiro. A gestora anunciou o fechamento do Fictor Invest Fundo de Investimento em Direitos Creditórios e convocou uma assembleia para discutir a liquidação da estrutura.
Na prática, a medida pode afetar diretamente os investidores, que poderão assumir responsabilidades jurídicas vinculadas ao fundo após o encerramento. O encontro que vai deliberar sobre o tema está marcado para 9 de março.
O caso ocorre em meio ao processo de recuperação judicial do conglomerado, que ganhou visibilidade recente após uma tentativa frustrada de adquirir o Banco Master pouco antes de a instituição ser liquidada pelo Banco Central.
Crise se amplia dentro do grupo
Segundo o Broadcast, a gestora integra o conjunto de empresas que entraram com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. Inicialmente, apenas a Fictor Invest e a Fictor Holding estavam incluídas no processo, mas uma emenda posterior ampliou a lista de companhias envolvidas.
Entre as novas incluídas está a própria Fictor Asset, o que indica um agravamento do cenário financeiro interno. Um perito responsável pelo caso recomendou a inclusão de todas as subsidiárias do conglomerado, ampliando o alcance do processo judicial.
Em documentos analisados, a gestora relaciona a crise institucional ao aumento significativo nos pedidos de resgate por parte dos investidores. A empresa afirma que a repercussão do pedido de recuperação judicial teve impacto direto na confiança do mercado.
Corrida por resgates e impacto no fundo
A própria gestora relatou que a associação de imagem entre as empresas do grupo provocou uma pressão incomum sobre o fundo. No documento, a Fictor Asset afirma que, quando a Fictor Invest e Holding entraram com o pedido de recuperação, “a similaridade reputacional e a unidade de marca ocasionaram aumento atípico e expressivo nas solicitações de resgate, superando 40% do seu Patrimônio Líquido”.
Esse movimento levou à decisão de encerrar o fundo e propor sua liquidação. O volume elevado de pedidos de saída teria comprometido a continuidade da operação, especialmente em um cenário de deterioração da confiança dos investidores.
Outro elemento que agravou a situação foi a saída da administradora fiduciária. A Apex, antiga BRL Trust, pediu renúncia ao cargo em 19 de fevereiro, embora deva permanecer na função por até 180 dias ou até a substituição ou liquidação do fundo.
Riscos jurídicos preocupam investidores
A proposta de liquidação também trouxe alertas entre credores e investidores. Um dos pontos mais sensíveis envolve possíveis consequências legais para os cotistas após o encerramento do fundo.
O advogado Felipe Gosuen da Silveira, que representa mais de 200 credores, manifestou preocupação ao analisar o plano apresentado. Segundo ele, há um trecho que indica que os investidores reconhecem os passivos judiciais do fundo, tanto favoráveis quanto desfavoráveis.
Caso a liquidação seja aprovada, os cotistas poderão assumir a posição em processos judiciais relacionados ao fundo. Isso inclui ações em andamento e eventuais novas disputas envolvendo direitos creditórios.
Além disso, o plano prevê que, após a liquidação, investidores possam responder por processos movidos contra o fundo, a administradora ou a custodiante. O ponto elevou o nível de cautela entre participantes e deve ser um dos focos centrais da assembleia marcada para março.
O que isso significa na prática?
Para quem investiu no fundo, o principal impacto é a incerteza sobre o retorno do capital e a possibilidade de exposição a disputas judiciais. Em cenários de liquidação, a recuperação dos valores depende da qualidade dos ativos e do andamento das cobranças de direitos creditórios, conforme aponta o MoneyTimes.
O caso também dá força aos efeitos em cadeia que uma recuperação judicial pode causar dentro de conglomerados financeiros. Mesmo estruturas que não estavam inicialmente no processo podem sofrer impacto indireto, especialmente quando compartilham marca e reputação.
A assembleia convocada pela Fictor Asset deve definir os próximos passos e indicar o tamanho real das perdas ou riscos assumidos pelos investidores.

