O mercado financeiro e especialistas em economia demonstram apreensão quanto ao potencial da inteligência artificial (IA) em desestruturar mercados tradicionais, principalmente nos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, um estudo do Goldman Sachs na última terça-feira (24) mostrou que a implementação acelerada dessas tecnologias pode impulsionar grandes taxas de desemprego nos Estados Unidos ainda em 2026.
O impacto já é visível em segmentos onde a automação consegue substituir funções humanas com maior facilidade. A análise dos economistas da instituição, dizem que a tecnologia foi responsável por uma supressão líquida de 5 mil a 10 mil postos de trabalho mensalmente ao longo do último ano em áreas de alta exposição digital.
Em janeiro, esse movimento correspondeu a aproximadamente 7% de todos os desligamentos programados.
Abaixo, empresas que fizeram cortes corporativos ao redor do mundo motivados pela reestruturação tecnológica desde outubro passado:
- AGORA (AGOP.WA): em dezembro de 2025 desligou cerca de 166 colaboradores (6,56% do quadro) para priorizar a operação digital.
- ALLIANZ (ALVG.DE): deve extinguir 1.800 posições em sua ala de seguros de viagem. Segundo fontes da Reuters em novembro de 2025, tarefas manuais serão automatizadas.
- AMAZON (AMZN.O): no dia 28 de janeiro de 2026, demitiu 16.000 funcionários corporativos para focar em eficiência operacional via IA e não descarta novas reduções.
- AUTODESK (ADSK.O): em 22 de janeiro de 2026 cortou 7% de seu time global (cerca de 1.000 pessoas) para concentrar capital em IA e nuvem.
- BRITISH AMERICAN TOBACCO (BATS.L): em 12 de fevereiro de 2026 foi anunciado um novo sistema de produtividade baseado em algoritmos. Sem especificar o volume de demitidos a empresa disse que haverá demissões.
- DOW (DOW.N): a organização em 29 de janeiro de 2026 demitiu 4.500 pessoas (13% do total). O plano utiliza automação e IA para otimizar processos.
- HP INC (HPQ.N): a empresa pretende fazer demissões entre 4.000 e 6.000 postos até o ano fiscal de 2028 buscando a modernização através da IA.
- MERCADOLIVRE (MELI.O): com foco na expansão via inteligência artificial, a varejista brasileira dispensou 119 funcionários em janeiro também desse ano, conforme a Folha de S. Paulo.
- META (META.O): a empresa de Mark Zuckerberg cortou mais de 1.000 vagas no Reality Labs em 13 de janeiro de 2026, trocando o foco do Metaverso por IA. Em outubro, mais 600 postos foram extintos nos Laboratórios de Superinteligência.
- NIKE (NKE.N): outra empresa na busca por acelerar a automação e as margens de lucro. A marca esportiva desligou 775 pessoas em janeiro, de acordo com informações da Reuters.
- PINTEREST (PINS.N): A rede social reduziu seu quadro em 15% em janeiro para redirecionar o orçamento para estratégias de IA.
- SEB (SEBF.PA): anunciou em 25 de fevereiro de 2026 que até 2.100 empregos podem ser afetados globalmente até 2027 devido a uma reestruturação tecnológica.
- TELSTRA (TLS.AX): em uma parceria com a Infosys, vai eliminar 650 cargos. A reorganização apoiada por IA foi reportada pelo The Australian em 11 de fevereiro de 2026.
- WISETECH (WTC.AX): em 25 de fevereiro de 2026, a companhia de software da Austrália anunciou o corte de 2.000 vagas (um terço da empresa) para integrar IA em seus produtos e sistemas internos.

