O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem em situação de empate técnico em cenários de primeiro e segundo turno para a eleição presidencial de 2026, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta sexta-feira (27).
A pesquisa foi realizada entre 22 e 25 de fevereiro, com entrevistas presenciais em municípios de todas as regiões do país, e busca medir o cenário eleitoral para o Executivo Federal.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado com 2.080 eleitores, distribuídos em 159 municípios, abrangendo os 26 estados e o Distrito Federal.
As entrevistas foram presenciais e domiciliares, com seleção dos participantes por critérios estatísticos que consideram gênero, idade, escolaridade e renda.
Segundo o instituto, a pesquisa tem grau de confiança de 95% e margem de erro estimada em 2,2 pontos percentuais para os resultados gerais.
Isso significa que oscilações dentro desse intervalo podem indicar empate técnico entre candidatos.
O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07974/2026, exigência legal para divulgação de levantamentos eleitorais.
A auditoria interna incluiu a verificação de pelo menos 30% das entrevistas, procedimento usado para garantir a consistência dos dados coletados.
Cenário estimulado indica disputa acirrada no primeiro turno
No principal cenário estimulado, quando nomes são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 39,6% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 35,3%.
Na sequência surgem o governador do Paraná, Ratinho Junior, com 7,6%, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, com 3,8%.
Outros nomes testados tiveram percentuais menores, como o empresário Renan Santos e o ex-ministro Aldo Rebelo.
A pesquisa também registra eleitores que declararam voto branco, nulo ou nenhum candidato, além dos que não souberam responder.
Os dados mostram uma disputa concentrada entre dois polos, cenário que costuma ocorrer quando o eleitorado se divide entre grupos políticos já consolidados.
Esse tipo de configuração pode reduzir o espaço para candidaturas alternativas, embora o quadro ainda seja considerado inicial.
Recortes demográficos revelam diferenças de apoio
A análise por perfil do eleitor mostra variações importantes entre grupos sociais. Entre mulheres, Lula aparece numericamente à frente, enquanto entre homens Flávio Bolsonaro registra percentual maior.
O levantamento também indica diferenças por faixa etária e escolaridade. Eleitores mais jovens tendem a concentrar maior apoio ao atual presidente, enquanto faixas intermediárias apresentam maior equilíbrio entre os dois principais nomes.
Outro dado observado envolve beneficiários do Bolsa Família. Entre quem recebe o programa social, Lula tem vantagem expressiva. Já entre eleitores que não recebem o benefício, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente.
Simulações de segundo turno mostram equilíbrio
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento aponta 44,4% para o senador e 43,8% para o presidente. A diferença está dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.
Outras simulações também foram testadas. Em um cenário entre Lula e Ratinho Junior, o presidente aparece com 43,6%, contra 39,7% do governador paranaense. Já em um confronto com Ronaldo Caiado, Lula soma 45,3%, enquanto o governador de Goiás marca 36,2%.
Pesquisas de segundo turno costumam ser usadas para avaliar o potencial de crescimento dos candidatos fora do núcleo mais fiel de apoiadores, já que simulam uma disputa direta.
Percepção sobre reeleição divide eleitores
O levantamento também perguntou aos entrevistados se o presidente Lula merece ser reeleito. A maioria respondeu negativamente: 52,2% disseram que ele não merece novo mandato, enquanto 43,9% afirmaram que sim.
A avaliação varia conforme região do país. No Nordeste, o percentual favorável à reeleição é maior, enquanto Sul e Sudeste registram índices mais altos de rejeição.
Tendência de crescimento de Flávio Bolsonaro
Reportagem da CNN Brasil destaca que esta é a primeira vez na série de levantamentos do instituto em que Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno, embora ainda dentro da margem de erro.
O levantamento também mostra avanço do senador em relação às pesquisas anteriores, enquanto o presidente apresenta leve oscilação.
Para analistas políticos, movimentos desse tipo podem indicar mudanças no comportamento do eleitorado, mas ainda não representam definição de cenário.
Quem vai ganhar?
Os dados sugerem um ambiente de polarização semelhante ao observado nas últimas eleições nacionais. Quando dois candidatos concentram boa parte das intenções de voto, estratégias de campanha tendem a focar na ampliação de apoio entre indecisos e eleitores de centro.
A presença de outros nomes nas simulações, ainda com percentuais menores, mostra que o cenário permanece aberto para mudanças.
Pesquisas futuras podem captar impactos de alianças, desempenho econômico e decisões políticas ao longo dos próximos meses.
Confira o estudo na íntegra

