As informações bancárias e fiscais do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, já estão sendo analisadas pela Polícia Federal. A necessidade da quebra de sigilo surgiu após o suposto recebimento de R$ 300 mil do Careca do INSS, investigado por desviar milhões de reais de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
O intuito é verificar de forma detalhada as movimentações financeiras do empresário, como Pix, TED e DOC, pagamentos, saques, depósitos, aplicações financeiras, bem como a utilização de cartões de crédito. A quebra de sigilo fiscal vai permitir a análise das informações tributárias fornecidas, valores recebidos, despesas informadas, patrimônio e a existência de dívidas declaradas.
CPMI do INSS
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, nesta quinta-feira (26), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS autorizou a quebra de sigilos fiscais e bancários de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão da 32ª sessão foi marcada por agressões entre aliados e oposicionistas, além da votação de outros 86 requerimentos.
Um pouco antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, também havia permitido o acesso ás informações protegidas, pedido feito pela Polícia Federal havia feito no início de janeiro deste ano. Segundo o Poder 360, antes mesmo da aprovação da quebra de sigilo, os investigadores já haviam tomado conhecimento de que Lulinha recebeu o dinheiro como uma espécie de mesada.
Possível sócio oculto
Lulinha passou a ser investigado pela Polícia Federal após a operação “Sem Desconto” encontrar mensagens no celular de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, em que ele conversa sobre um pagamento de R$ 300 mil. Os investigadores identificaram que a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, mencionou que o dinheiro seria enviado ao “filho do rapaz”. O codinome é suspeito de ser uma referência ao filho do presidente Lula.
“Sob a ótica política e investigativa, a medida (quebra de sigilo) justifica-se pela suspeita de que Fábio Luís tenha atuado como ‘sócio oculto’ de Antônio Camilo em empreendimentos de cannabis medicinal financiados com recursos supostamente desviados do INSS”, disse trecho do requerimento de quebra de sigilo.
De acordo com o advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, o seu cliente não participou de desvios nem recebeu qualquer valor de fontes criminosas. “Diante da incessante campanha midiática reproduzindo dados parciais e sigilosos de uma investigação em andamento, entendi ser necessário requerer ao STF acesso à investigação”.
Posicionamento de Lula
O presidente Lula tem recebido informações atualizadas sobre todos os desdobramentos da investigação envolvendo as fraudes no INSS, repassadas pelo diretor-geral da Polícia Federal, com acompanhamento de forma contínua, diante da repercussão política do caso. O cenário é avaliado com atenção por integrantes do governo, que consideram a possibilidade de que a apuração tenha reflexos na imagem do chefe do Executivo.
Em uma de suas últimas declarações sobre o tema, Lula afirmou que é necessário que os nomes mencionados em provas sejam investigados. O presidente ponderou que as investigações precisam seguir critérios técnicos, respeitar a lei e alcançar qualquer pessoa citada nas investigações, até mesmo familiares dele, conforme noticiado pelo O Brasilianista.
“Muitas das coisas estão em segredo de Estado. Já li notícias e tenho dito para ministros e à CPI que é importante ter seriedade, que se possa investigar todas as pessoas envolvidas. Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado”, afirmou o atual presidente do Brasil.

