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Política

Da denúncia à reta final: os principais marcos da CPMI do INSS

Entre agosto de 2025 a fevereiro de 2026 a Comissão Mista já acumulou quebra de sigilo, depoimentos tensos e embates políticos

Da denúncia à reta final: os principais marcos da CPMI do INSS

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi criada em agosto de 2025 no Congresso Nacional para investigar um esquema de fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas, que teriam provocado prejuízo bilionário aos cofres públicos e segurados.

Segundo a Agência Senado, o colegiado foi oficialmente instalado em 20 de agosto de 2025, quando foi lido o requerimento de criação e definida sua composição, com 15 senadores e 15 deputados titulares. Presidido pelo senador Carlos Viana (Podemos‑MG) com relatoria do deputado Alfredo Gaspar (União‑AL).

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O ano de 2025

Ao longo do segundo semestre de 2025, o colegiado avançou na análise de requerimentos para quebrar sigilos e convocar investigados, como parte da estratégia de aprofundar as apurações. Em dezembro a comissão chegou a rejeitar o pedido de convocação de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha (filho do presidente da República), alvo das investigações, enquanto discutia a participação de outros nomes citados em mensagens e relatórios.

No início de 2026, os trabalhos continuaram com pressões por depoimentos, como a tentativa de ouvir o empresário Daniel Vorcaro, cujo comparecimento foi impactado por decisão judicial, e com a comissão articulando meios de garantir esclarecimentos considerados essenciais antes da retomada das sessões no fim de fevereiro.

Segundo reportagens de O Brasilianista, o chamado “Careca do INSS” aparece nas investigações como um dos operadores apontados no suposto esquema de descontos indevidos aplicados em benefícios previdenciários.

Em ordem cronológica, já foram ouvidos:

  • Familiares de investigados (“Careca do INSS” e Paulo Camisotti): em setembro de 2025, a comissão ouviu Tânia Carvalho dos Santos e Romeu Carvalho Antunes, esposa e filho de Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”).
  • Cecília Montalvão Queiroz, esposa de Maurício Camisotti, Rubens Oliveira Costa, empresário e ex‑diretor financeiro de empresas ligadas e Milton Salvador, sócio do Careca, também compareceram para esclarecer papéis no esquema de descontos irregulares.
  • Antonio Carlos Camilo Antunes: ainda em setembro de 2025, o famoso Careca do INSS foi ouvido pela comissão. Além de estar preso ele negou veementemente seu envolvimento no esquema.
  • Ex‑diretor do INSS, Alexandre Guimarães: em outubro de 2025, Guimarães prestou depoimento à CPMI sobre sua atuação como diretor de governança do instituto e possíveis vínculos com pessoas e empresas envolvidas nas fraudes.
  • Empresário, Fernando Cavalcanti: ainda em outubro, Cavalcanti foi intimado a depor sendo transmitido pela TV Senado quando o colegiado ouviu esse empresário investigado sobre os esquemas no INSS.
  • Médica e empresária, Thaisa Hoffmann Jonasson: também em outubro de 2025 foi ouvida como testemunha que explicasse as transferências relacionadas a investigados como o “Careca do INSS”.
  • Ex‑coordenador de pagamentos do INSS, Jucimar Fonseca da Silva: em novembro de 2025, Fonseca foi ouvido como investigado pela CPMI, em sessão que também contou com a participação do empresário Thiago Schettini.
  • Empresário, Sandro Temer Oliveira: também foi ouvido em novembro de 2025 pela CPMI em dezembro de 2025 em sessão pública transmitida pela TV Senado. Ele já foi preso pela Polícia Federal na chamada Operação Sem Desconto.
  • Paulo Camisotti, empresário e filho de Maurício Camisotti, ligado à fraude dos descontos indevidos em benefícios do INSS: em fevereiro de 2026, Paulo foi ouvido na CPMI em reunião realizada no dia 26, mas permaneceu em silencio durante julgamento.

Aprovação de requerimentos e quebras de sigilo

Durante a reunião realizada na última quinta‑feira (26), a CPMI do INSS aprovou 87 requerimentos em bloco, incluindo pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal de investigados no âmbito das apurações, com destaque para Lulinha. A votação simbólica em bloco gerou protestos entre os parlamentares, com governistas questionando a forma de contagem e oposição defendendo a importância das medidas para aprofundar investigações.

O presidente da comissão confirmou posteriormente que a pauta foi aprovada integralmente, apesar da suspensão temporária da sessão provocada por desentendimentos no plenário.

Depoimentos e ausências na agenda

Após a aprovação da pauta, a comissão ouviu o empresário Paulo Camisotti, considerado peça central em apurações que envolvem movimentações financeiras milionárias no esquema de descontos indevidos no INSS. Durante seu depoimento, que ocorreu na tarde de quinta‑feira, o empresário permaneceu em silêncio amparado por habeas corpus, conforme anunciado pelos integrantes da CPMI.

Outros convocados para a reunião, o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (MA) e o advogado Cecílio Galvão não compareceram, e a comissão deliberou recorrer a medidas como condução coercitiva para tentar garantir esclarecimentos sobre contratos e relações financeiras que são objeto de apuração.

Reação a decisões judiciais

Na semana, a CPMI também enfrentou desafios em relação a depoimentos. O presidente da comissão anunciou esforços para garantir a presença de investigados, como o empresário Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master, cujo comparecimento à CPMI foi declarado facultativo por decisão do Supremo Tribunal Federal.

A comissão avalia recorrer judicialmente para assegurar depoimentos essenciais ao avanço das investigações. Paralelamente, na segunda‑feira anterior (23), a CPMI ouviu a empresária Ingrid Morais Santos, ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), em depoimento substitutivo após o cancelamento da vinda de Vorcaro, em sessão no Congresso.

Conforme noticiado pelo O Brasilianista, a Polícia Federal já iniciou a análise detalhada de dados bancários e fiscais de Lulinha, com a quebra de sigilos previamente autorizada pela CPMI. O foco é verificar movimentações financeiras como depósitos, transferências e aplicações, além de cruzar informações tributárias e patrimoniais que possam apontar ligações com operadores do esquema investigado.

Próximos passos

Ainda de acordo com informações do Senado Federal, com o final do mês de fevereiro se aproximando e o prazo original da CPMI também próximo do fim, os integrantes aprofundam discussões sobre a necessidade de prorrogar os trabalhos do colegiado para além de março, inclusive com interlocuções junto à presidência do Senado para assegurar mais tempo de investigação.

A comissão já tem reuniões agendadas para a próxima semana, incluindo oitiva de executivos e representantes de entidades e empresas, e deputados buscam consolidar evidências que possam fundamentar encaminhamentos à Justiça e a órgãos de controle ao término das atividades.

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