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Geopolítica

Conflito no Irã chama atenção para o petróleo local

Risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, retaliações regionais e alta nos preços transformam crise militar em ameaça econômica

Conflito no Irã chama atenção para o petróleo local

A recente operação militar no Irã administrado por Donald Trump, com forças israelenses, marca o segundo golpe direto contra um grande produtor de óleo em 2026. Diferente de intervenções anteriores, a investida carrega o potencial de desestabilizar o comércio energético global, dado o peso estratégico de Teerã, como detalha análise do Político.

Segundo o artigo, em um ponto nevrálgico, o Irã exerce uma influência sobre o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto de todo o óleo e gás do planeta. Relatos obtidos pela Reuters junto à missão europeia Aspides indicam que a Guarda Revolucionária já emite alertas via rádio VHF proibindo a passagem de qualquer navio pela região.

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Embora o governo iraniano ainda não tenha confirmado oficialmente o bloqueio, o movimento era previsto por monarquias do Golfo como resposta imediata a um ataque vindo de Washington.

Interromper o tráfego nesse corredor de apenas 34 quilômetros representaria uma medida drástica e inédita. Mesmo durante o conflito com o Iraque na década de 80, sob pressão de Saddam Hussein, as autoridades iranianas optaram por manter a rota operacional. Paralelamente, no Iêmen, o grupo Houthi reativou ameaças contra embarcações no Mar Vermelho, ampliando o perímetro de instabilidade iniciado no ano passado.

Diferente da volatilidade passageira vista após incursões na Venezuela ou ataques pontuais ao Irã no passado, analistas preveem que um conflito generalizado pode paralisar a extração não apenas local, mas também na Arábia Saudita.

  • Preços: Na última sexta-feira, o barril atingiu US$ 67, subindo US$ 5 em trinta dias.
  • Previsões: Especialistas do Barclays estimam que o Brent possa escalar até os US$ 80
  • Fator China: Pequim, que absorve cerca de 1,5 milhão de barris diários do Irã (90% das exportações do país), seria duramente afetada por uma quebra na oferta

Samantha Gross, do Brookings Institute, ressalta que o volume produzido pelos iranianos supera o venezuelano, tornando qualquer hiato de fornecimento muito mais doloroso para a economia internacional do que para o mercado doméstico americano isoladamente.

Funcionamento da Dinâmica

Fontes do governo Trump esclareceram que a ofensiva de sábado é o início de uma campanha de “vários dias”, sugerindo uma operação coordenada de fôlego. A resposta de Teerã não tardou, com disparos direcionados a instalações militares dos EUA na região.

De acordo com Homayoun Falakshahi, da ICIS, a estratégia americana pode focar na eliminação de quadros de comando iranianos. Se bem-sucedida, essa tática minaria a capacidade de resposta do país, cujo principal trunfo é inflacionar o custo da intervenção através do petróleo. Contudo, ele pondera que atacar vizinhos ou fechar Ormuz seria um “suicídio político”, pois forçaria a entrada de novos atores internacionais na guerra.

Reação política e econômica

Internamente, a oposição democrata demonstrou preocupação com o encarecimento da vida. A deputada Rosa DeLauro criticou a abertura de uma nova frente de combate enquanto o eleitorado clama por medidas contra a inflação, visando especialmente o pleito legislativo de 2026.

No campo tático, Fernando Ferreira (Rapidan Energy Group) alerta que o Irã pode recorrer a meios assimétricos:

  • Uso de minas navais e drones em Ormuz
  • Incentivo a aliados para sabotar refinarias de parceiros ocidentais (padrão dos ataques de 2019 na Arábia Saudita)
  • Pressão sobre o Catar (divide um grande campo de gás com o Irã e hospeda uma base vital dos EUA)

Setor energético do Irã

Caso a pressão resulte na queda do atual regime, o subsolo iraniano pode se tornar o novo alvo de petroleiras globais. Robert Auers, da RBN Energy, disse que a infraestrutura local está em melhor estado que a da Venezuela.

“As reservas do Irã são vastas e de extração mais simplificada que o xisto dos EUA. A produção poderia saltar entre 500 mil e 1 milhão de barris por dia rapidamente após uma mudança política”, afirma Auers.

Mas Jim Burkhard, da S&P Global, faz uma ressalva. Transições de poder raramente geram aumentos imediatos de fluxo. Investidores priorizam segurança jurídica e estabilidade física antes de aportarem capital.

Para o especialista, o cenário de preços baixos, que atingiram mínimas de cinco anos recentemente, deu ao governo Trump a confiança necessária para agir, funcionando como um “colchão” contra choques imediatos, algo que seria impossível em um mercado de oferta escassa.

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