Brasil se manifestou contra a retaliação EUA-Israel neste sábado (28), por meio de uma nota à imprensa do Ministério das Relações Exteriores. O governo brasileiro criticou a interrupção de processos diplomáticos pela força militar, defendendo que a estabilidade regional, um pilar histórico da política externa do país, só pode ser alcançada por meio de negociações.
Para o Itamaraty, a manutenção do Direito Internacional e a contenção de hostilidades são cruciais não apenas pela segurança humanitária, mas pela preservação da infraestrutura civil e logística. O governo enfatiza que a escalada do conflito ameaça diretamente as cadeias globais de suprimento e o fluxo de atividades econômicas em uma região estratégica para o comércio internacional.
O corpo diplomático brasileiro no Oriente Médio monitora o impacto das ofensivas militares, priorizando o suporte a cidadãos e grupos empresariais instalados na região. A orientação é que brasileiros com operações ou residência nos países afetados sigam rigorosamente os protocolos de segurança locais para mitigar riscos operacionais e pessoais.
Em Teerã, a embaixada mantém canal aberto com a comunidade de negócios para fornecer atualizações em tempo real sobre riscos que comprometam a continuidade de contratos e transações comerciais.
Veja a nota completa:
Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região.
O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.
As embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem.
O embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira, a fim de transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança.
Estados Unidos x Irã
Mais cedo, o Brasilianista detalhou que o presidente dos Estados Unidos enfatizou repetidamente a impossibilidade do Irã possuir armamento nuclear e reforçou a urgência de um acordo para evitar consequências graves.
Durante o Conselho da Paz, destacou que as negociações envolvendo Israel e outros parceiros no Oriente Médio precisavam ser consolidadas, mas advertiu que a falta de um acordo satisfatório resultaria em “eventos negativos”.
Além disso, na última quinta-feira (26), buscou solucionar impasses sobre o programa nuclear iraniano, em meio a crescentes tensões militares e presença americana na região.
Enquanto o Irã afirma que seu programa é pacífico, os Estados Unidos, Israel e aliados europeus veem a iniciativa como uma potencial ameaça nuclear, especialmente após a retirada americana do Acordo de 2015 (JCPOA), que levou a sanções mais severas e ao aumento do enriquecimento de urânio por Teerã, mantendo um histórico de desconfiança e impasse diplomático.

