O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em alinhamento com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, colocou em operação uma agenda voltada à competitividade empresarial associada à sustentabilidade: o projeto “Ação Climática e de Biodiversidade por meio de Soluções de Economia Circular” (CB-ACES).
A implementação técnica será liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, com suporte do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e da consultoria alemã Adelphi.
A iniciativa pretende colocar o Brasil como um país de negócios de baixo carbono na América do Sul e criar condições para que empresas integrem desempenho ambiental e expansão de mercado. Além disso, o projeto também pretende promover aproximação entre o setor público, indústria e cooperação internacional.
Dessa forma é possível acelerar os ganhos de eficiência, inovação tecnológica e inserção competitiva das empresas brasileiras em cadeias globais usando os recursos financeiros da Iniciativa Internacional para o Clima, vinculada ao governo da Alemanha.
O projeto estrutura a economia circular como vetor de geração de valor, estimulando atualização regulatória, formação de competências técnicas, desenvolvimento de projetos-piloto e ampliação do acesso a capital para micro, pequenas e médias empresas.
O MDIC diz que o projeto vai de encontro com demandas do mercado latino-americano, onde é crescente a exigência por produtos e processos alinhados a padrões ambientais mais rigorosos.
Julia Cruz, secretária do MDIC, reforça que a economia circular é uma ferramenta estratégica para elevar a margem industrial e otimizar a gestão. Ao adotar esse modelo, empresas reduzem custos, mitigam riscos climáticos e impulsionam a inovação. O objetivo central é transformar diretrizes em ações práticas que fortaleçam as cadeias produtivas e a competitividade do Brasil.
O projeto CB-ACES, presente também no México e na África do Sul, promove negócios sustentáveis em economias emergentes, focando em descarbonização, inclusão e transformação digital. Entre as metas estão a integração da circularidade às políticas industriais e a atração de investimentos.
Semana de foco em negócios
Na última semana, O Brasilianista detalhou que o Ministério da Fazenda e a Amcham Brasil promoveram um encontro com lideranças empresariais para atualizar o andamento da regulamentação do mercado de carbono. A apresentação foi conduzida por Cristina Reis, à frente da Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, responsável por estruturar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
A agenda priorizou segurança jurídica e governança, consideradas decisivas para atrair capital e dar previsibilidade às empresas. O modelo prevê coordenação estratégica do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima, gestão técnica da SEMC e participação do setor privado em instâncias consultivas.
O cronograma estabelece regulamentação até 2026, preparação operacional das companhias até 2027, exigência de monitoramento de emissões a partir de 2028 e definição de limites e cotas em 2031.
O Brasil ainda articula integração com a China e a União Europeia em mercados regulados de carbono. A intenção é concluir as principais normas até julho, reforçando o SBCE como instrumento de competitividade para a indústria nacional.

