O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no último sábado (28), deve provocar reflexos tanto geopolíticos, a partir da intensificação das tensões no Oriente Médio, quanto econômicos, com impactos nos preços do petróleo e nos mercados globais. Os resultados do conflito podem ser observados nos principais mercados do mundo.
O principal impacto para a economia deve ser no aumento dos preços do petróleo tipo Brent, que é referência internacional e influencia o valor dos combustíveis em vários países, inclusive no Brasil. No domingo (01), o hidrocarboneto do tipo Brent apresentou alta de 13% na abertura dos negócios, valendo US$ 82 e ficando no maior nível desde janeiro de 2025.
As análises de especialistas projetam que as primeiras negociações de dólar e outras moedas na Ásia apresentem volatilidade nesta segunda-feira (02), enquanto os ataques continuam no Oriente Médio, conforme apontado pelo O Globo. A tendência é que o preço do petróleo se eleve cada vez mais, com negociações que dependem dos acontecimentos do conflito. As informações são do InfoMoney.
Choque de abastecimento do petróleo
O momento preocupa também em relação ao abastecimento de petróleo. Em meio aos ataques, grande parte dos proprietários de petroleiros, bem como grandes petrolíferas e tradings suspenderam por tempo indeterminado os embarques de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito através do Estreito de Ormuz, principal caminho de transporte.
O Estreito de Ormuz recebe mais de 20% do petróleo transportado globalmente. O seu fechamento de passagem pode resultar em um choque de abastecimento, situação que preocupa fontes comerciais. “Foi relatado que a navegação foi interrompida no Estreito de Ormuz. Isso pode levar ao bloqueio de exportações de hidrocarbonetos na região e criar um desequilíbrio significativo nos mercados globais de petróleo e gás”, afirmou a chanceler da Russa, em nota sobre a situação no Irã.
Impactos inflacionários
Além disso, a economia mundial deve aguardar a valorização do dólar e do ouro, bem como a possibilidade de impactos inflacionários. No Brasil, o cenário ocorre às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual o mercado tem fortes expectativas de cortes na taxa básica de juros, a Selic, que no momento está em 15% ao ano.
Análises apontam que nesta segunda-feira (02), no Brasil, pode haver recuo de 1,5% a 3% no Ibovespa. Os papéis que podem ser mais impactados são os da Petrobras, em no índice brasileiro tem entre 12% e 14% de participação, bem como os da PRIO, PetroReconcavo e Vibra.
Devem se preparar para os impactos os setores de bancos, varejo, construção civil e empresas importadoras de insumos. Na contramão, as expectativas são de que haja desempenho neutro ou um pouco positivo das ações de defesa ou ligadas à exportação de commodities agrícolas.
“Nos últimos pregões, Petrobras e Vale [VALE3] já haviam puxado o índice para cima justamente pela antecipação dessa tensão. Esse canal positivo pode voltar a aparecer com intensidade se o barril continuar escalando”, afirma o analista econômico Rodrigo Rios, que acredita que o impacto na economia brasileira pode aparecer de forma mista, com possibilidade de resultados positivos e negativos.

