De acordo com o Valor Econômico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que 48 líderes iranianos foram mortos nos ataques conduzidos por forças americanas contra o Irã.
Segundo ele, a ofensiva está avançando depressa e teria atingido o núcleo político e militar da República Islâmica. “Está avançando rapidamente. Ninguém consegue acreditar no sucesso que estamos tendo, 48 líderes foram eliminados de uma vez só”, comemorou o político norte-americano.
Embora Washington não tenha divulgado uma lista oficial, autoridades israelenses e veículos internacionais citaram as lideranças que teriam sido mortas ou estariam entre os alvos da operação.
O que está acontecendo?
Os Estados Unidos, apoiados por Israel, anunciaram “grandes operações de combate” contra o Irã, afirmando que pretendem destruir o programa nuclear iraniano e neutralizar suas forças armadas.
Em um vídeo de oito minutos divulgado na plataforma Truth Social, Trump acusou Teerã de rejeitar todas as oportunidades para abandonar suas ambições nucleares e declarou que Washington “não pode mais tolerar” a situação. Israel também confirmou que realizou ataques contra alvos iranianos.
Em retaliação, o Irã lançou uma série de ataques considerados sem precedentes em diferentes pontos do Oriente Médio. Explosões foram registradas em países que abrigam bases militares americanas, como por exemplo, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Quais líderes iranianos foram dados como mortos?
Entre os nomes citados estão, por exemplo, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh; o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Shamkhani; o comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Mohammad Pakpour; o oficial de inteligência, Saleh Asadi; os pesquisadores Hossein Jabal Amelian e Reza Mozaffari-Nia; além do ex-representante de defesa, Mohammed Shirazi.
Ali Khamenei
Líder Supremo do Irã desde 1989, o Aiatolá era a autoridade máxima política e religiosa do país, com poder sobre as Forças Armadas, o Judiciário e as principais diretrizes do regime. A confirmação da sua morte teria sido feita inicialmente pela agência estatal Fars, que afirmou que ele foi “martirizado” durante um bombardeio em seu local de trabalho, na chamada Casa da Liderança (Beit Rahbari), em Teerã.
O gabinete do governo iraniano declarou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado público.
Trata-se de um dos eventos mais impactantes da história recente do Oriente Médio, com potencial de desencadear forte impacto nos mercados globais de petróleo, escalada militar regional, disputas internas pela sucessão no Irã e intensificação de ataques contra interesses dos EUA e de Israel.
Mahmoud Ahmadinejad
Ahmadinejad governou o país entre 2005 e 2013 e ficou conhecido por sua postura linha-dura contra Ocidente, declarações antissemitas (incluindo a negação do Holocausto) e defesa do desaparecimento do Estado de Israel. Durante seu mandato, houve também um grande avanço do programa nuclear iraniano que levou à imposição de sanções internacionais, agravando a crise econômica do país.
Aziz Nasirzadeh
Aziz Nasirzadeh é um militar de carreira da Força Aérea iraniana que ganhou projeção nacional ao ocupar postos de alto comando antes de assumir o Ministério da Defesa do Irã. Ao longo da trajetória, esteve ligado à modernização da aviação militar do país e ao fortalecimento dos sistemas de defesa aérea.
Como ministro da Defesa, tornou-se responsável pela coordenação das Forças Armadas, pelo planejamento estratégico militar e pela supervisão de programas de mísseis e sistemas de dissuasão.
Ali Shamkhani
Ali Shamkhani foi um dos principais nomes da segurança do Irã. À frente do Conselho Supremo de Segurança Nacional, órgão responsável por formular e coordenar as políticas de defesa, segurança interna e estratégia externa do país, desempenhava papel central nas decisões sensíveis do regime.
Veterano da guerra Irã-Iraque (1980-1988), Shamkhani construiu carreira tanto no aparato militar quanto na esfera política. Já havia ocupado o cargo de ministro da Defesa e também comandado a Marinha, acumulando influência entre as Forças Armadas e a elite dirigente.
No Conselho Supremo, atuava como articulador entre o governo, os comandos militares e o gabinete do líder supremo, participando diretamente das definições sobre o programa nuclear, negociações regionais e respostas a crises internacionais. Considerado um estrategista pragmático dentro do establishment iraniano, era visto como um dos principais conselheiros da geopolítica regional.
Mohammad Pakpour
Mohammad Pakpour era comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a força de elite criada após a Revolução de 1979 e considerada um dos pilares do regime iraniano.
À frente da organização, tinha responsabilidade sobre operações militares estratégicas, coordenação de forças especiais e articulação da influência regional do Irã, incluindo por exemplo, o apoio logístico e militar a grupos aliados no Oriente Médio. Vale ressaltar que o IRGC opera paralelamente às Forças Armadas regulares e possui papel central na doutrina de dissuasão e projeção de poder iraniana.
Saleh Asadi
Saleh Asadi é apontado como oficial de inteligência ligado a operações externas do regime.
Quadros com esse perfil costumam atuar em coleta de informações estratégicas, coordenação de redes no exterior e suporte a ações sensíveis relacionadas à segurança nacional.
Mohammed Shirazi
Já Mohammed Shirazi é citado por autoridades israelenses como ex-representante de defesa e uma das vítimas dos ataques recentes. Especula-se que a sua liderança envolvia principalmente a articulação institucional e interlocução estratégica em temas ligados à política de defesa do país.

