A Vibra Energia vive momento delicado. Enquanto é alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)por supostas práticas anticoncorrenciais no fornecimento de combustível de aviação, a companhia sai também de um projeto de geração solar flutuante na Grande São Paulo.
De acordo com o InvestNews, a Vibra Energia, por meio da sua comercializadora Comerc Energia, vendeu a totalidade da participação que detinha na KWP Comerc SPE, uma sociedade criada para desenvolver uma usina solar flutuante no reservatório Billings, na Grande São Paulo.
Com a venda, a KWP Energia passa a deter 100% do capital da empresa responsável pelo projeto, assumindo o controle integral do empreendimento. Antes, a Comerc (da Vibra) e KWP dividiam o negócio em partes iguais. O valor da transação, no entanto, não foi divulgado.
O que se sabe sobre o projeto?
O projeto no reservatório Billings nasceu de chamadas públicas realizadas entre 2020 e 2021 e ainda está em fase de desenvolvimento. A sociedade havia sido estruturada para viabilizar até 80 megawatts (MW) de geração solar flutuante em parceria com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae).
O modelo se enquadra no que chamamos de geração distribuída, um tipo de sistema em que a energia é produzida próxima ao ponto de consumo e conectada diretamente à rede de distribuição.
Mas mesmo no cenário máximo de 80 MW, o projeto ainda representaria uma fração pequena frente ao mercado nacional de geração distribuída, que já soma cerca de 45 gigawatts (GW) instalados.
Projetos de geração flutuante, embora inovadores, envolvem complexidade regulatória, licenciamento ambiental e prazos longos de maturação. Ao transferir integralmente o controle para a KWP, a Vibra deixa de participar diretamente da fase de desenvolvimento do empreendimento.
Cade apura atuação no setor de aviação
Paralelamente, o Cade abriu inquérito para analisar denúncia da Rede Sol, que questiona o encerramento de um contrato e o acesso à infraestrutura de tancagem de gasolina de aviação da Vibra em Cubatão (SP). O órgão avalia se houve eventual restrição de mercado ou abuso de posição dominante.
A investigação ainda está em fase inicial e não implica condenação.
O processo pode resultar em arquivamento, acordo ou eventual imposição de medidas corretivas, a depender da análise técnica sobre a estrutura do mercado e os contratos envolvidos.
Como uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, a Vibra Energia tem presença relevante também no abastecimento de aviação, segmento estratégico para a logística nacional.
Transição energética e disciplina de capital
A saída do projeto ocorre em meio à expansão da Vibra para além da distribuição tradicional de combustíveis. De acordo com o Valor Econômico, após a reformulação da marca, a companhia passou a investir também em novos segmentos do setor energético, incluindo a comercialização de energia e projetos renováveis, movimento que foi reforçado pela aquisição da Comerc Energia.
A movimentação, nesse sentido, demonstra um momento de ajustes no portfólio da companhia, que atua tanto em combustíveis quanto em soluções no mercado de energia elétrica.
Além disso, a definição sobre a continuidade ou não de determinados projetos pode refletir também decisões internas sobre foco operacional e alocação de recursos.
Os próximos meses devem trazer definições tanto sobre o andamento da investigação no Cade quanto sobre o direcionamento dos investimentos da companhia no setor de energia.

