Segundo declaração do Fundo Monetário Internacional, os resultados econômicos no mundo relacionados a guerra no Oriente Médio dependem de sua duração e dos danos causados à infraestrutura e às indústrias da região. O cenário futuro vai depender também se preços da energia forem de curta duração ou persistentes.
Durante a conferência Future of Finance do Instituto Milken, em Washington, primeiro vice-diretor-gerente do FMI, Dan Katz, considerou que é necessário que diante do conflito bancos centrais tenham cautela em suas decisões, com ações medidas a partir dos resultados da guerra, que dependem de sua duração e dos novos desdobramentos geopolíticos. “Eu esperaria que os bancos centrais fossem cautelosos e respondessem à situação à medida que ela se concretizasse”.
Aumento nos preços da energia
Desde do início da frente dos Estados Unidos no Irã, realizada no último sábado (28), o petróleo bruto Brent, que é referência global, subiu para US$ 83 por barril. A alta foi de 15% em comparação com o preço registrado um dia antes, na sexta-feira (27). O principal motivo que tem influenciado no aumento disparado dos preços, além da guerra, é o fechamento do Estreito de Ormuz, local responsável por 20% do petróleo mundial.
A avaliação primeiro vice-diretor-gerente indica que as entidades monetárias de todos os países passem a ignorar neste momento um aumento temporário nos preços da energia. Caso necessite, Katz afirma que bancos centrais podem responder se um choque energético mais persistente resultar em “uma desestabilização das expectativas de inflação”, segundo informações do Money Times.
“Portanto, tenho certeza de que os bancos centrais, ao refletirem sobre como a situação geopolítica está se traduzindo nos mercados de energia, analisarão as lições da pandemia e verão se podem aplicar alguma dessas lições na definição da política monetária”, explicou Katz.
Ataque dos EUA e Israel ao Irã
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, no último sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irã. A frente em Teerã resultou na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei, bem como de familiares do presidente. O momento tem causado tensões mundiais diante do cenário geopolítico e econômico.
O conflito entre os EUA e o Irã percorre caminhos estreitos desde a Revolução Islâmica de 1979. Recentemente, os países estavam deliberando um acordo sobre o programa nuclear iraniano, ao qual representantes de ambos governos afirmavam que estava havendo andamentos positivos.
Posição do Brasil sobre o conflito
No início desta semana o Ministério das Relações Exteriores divulgou uma nota em que se posiciona contra os ataques no Irã. Segundo o texto, o Brasil acredita que é necessário que todas as nações respeitem o Direito Internacional.
“O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região. O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, dizia.

