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Geopolítica

O Irã realmente tem bomba atômica? Tudo o que já sabemos sobre o programa nuclear iraniano

Instalações nucleares do Irã voltaram ao centro da disputa geopolítica após novos ataques e inspeções internacionais

O Irã realmente tem bomba atômica? Tudo o que já sabemos sobre o programa nuclear iraniano

O programa nuclear do Irã voltou ao centro da geopolítica internacional após a escalada militar envolvendo o país, os Estados Unidos e Israel entre o final de 2025 e o início de 2026.

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Mas entre ataques, declarações controversas do presidente Donald Trump e inspeções inconclusivas, a principal pergunta segue sendo: o Irã realmente tem — ou está prestes a ter — uma bomba nuclear?

A resposta curta, segundo relatórios de inteligência ocidentais e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), é que não há evidência de que o país possua uma arma nuclear operacional.

De acordo com o UOL, a suspeita de que Teerã possa estar próximo de desenvolver uma arma atômica tem sido usada como justificativa para ações militares e pressão diplomática, mas relatórios recentes de organismos internacionais e da inteligência ocidental indicam que o país não possui tal bomba.

No entanto, a resposta definitiva para essa pergunta é bem mais longa e complexa: envolvendo décadas de história, tecnologia sensível, disputas estratégicas e até mesmo reafirmação de poder.

Um programa criado com apoio americano

Ironicamente, o programa nuclear iraniano começou oficialmente em 1957, dentro da iniciativa “Átomos para a Paz”, promovida pelos próprios Estados Unidos durante a Guerra Fria.

Em 1967, os EUA forneceram ao Irã seu primeiro reator de pesquisa. Na época, o Irã era governado pelo xá Reza Pahlavi, aliado de Washington, de acordo com a Agência Pública. A cooperação previa transferência de tecnologia nuclear para fins civis, como produção de energia e pesquisa científica.

No entanto, tudo mudou com a Revolução Islâmica de 1979. O novo regime rompeu relações com Washington, mas manteve o conhecimento técnico acumulado ao longo de duas décadas de cooperação.

O que o Irã afirma?

De acordo com o G1, o representante do Irã, Amir-Saeid Iravani, afirma que o programa nuclear nunca foi uma ameaça e que é exclusivamente pacífico. Já a BBC divulgou que o governo iraniano insiste que suas atividades nucleares são exclusivamente para fins civis. O país é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que permite o uso de energia nuclear para fins civis.

O programa, por outro lado, proíbe o desenvolvimento de armas. Entretanto, investigações da AIEA indicaram que, até 2003, o Irã conduziu atividades relacionadas ao desenvolvimento de um possível dispositivo explosivo nuclear. Projeto que teria sido interrompido naquele mesmo ano.

O relatório Annual Threat Assessment 2025, do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos EUA revelou que não há evidência de um programa estruturado de fabricação nuclear. O próprio relatório aponta que o líder supremo iraniano não reautorizou formalmente um programa de armas.

O ponto crítico

Dessa forma, de acordo com a BBC, o que gera maior preocupação internacional não é uma bomba existente, mas o nível de enriquecimento de urânio atingido pelo país. Para entender:

  • Energia nuclear civil exige enriquecimento em torno de 3% a 5%.
  • O Irã passou a enriquecer até 60%.
  • Para uso militar, o nível necessário é cerca de 90%.

Segundo dados divulgados antes dos ataques de 2025, o Irã possuía aproximadamente 400 a 440 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, o que o coloca a poucos passos do nível militar.

Especialistas afirmam que, se houvesse decisão política, o país poderia produzir material físsil suficiente para uma bomba em questão de semanas. Mas transformar esse material em uma ogiva funcional envolve etapas adicionais complexas, como miniaturização e integração a sistemas de mísseis.

Até o momento, não há evidência pública de que essa fase esteja em andamento.

Os ataques às instalações nucleares

De acordo com a BBC, em 2025, os EUA entraram brevemente no conflito, atacando três instalações que compõe o maior complexo de pesquisa nuclear do Irã, em Isfahan, além de centros em Natanz e Fordo. Que, segundo eles, seria usados para enriquecer urânio para uso como combustível nuclear.

O presidente Donald Trump declarou que as estruturas haviam sido “destruídas”.

Já o chefe da AIEA, Rafael Grossi, disse que os ataques causaram danos graves, embora “não totais”, sugerindo que alguma forma de enriquecimento poderia ser retomada. Desde então, imagens de satélite indicam reconstruções, o que alimenta novas suspeitas sobre a capacidade remanescente do programa.

O acordo nuclear de 2015 e sua ruptura

Em 2015, o Irã assinou com seis potências mundiais um acordo que limitava seu enriquecimento de urânio a 3,67%, sob inspeções rigorosas da AIEA. Em troca, o país recebeu alívio de sanções econômicas.

Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump retirou os EUA do acordo, classificando-o como insuficiente. Após a saída americana, o Irã passou gradualmente a descumprir os limites estabelecidos. A partir daí, o nível de enriquecimento subiu e o estoque de material nuclear aumentou significativamente.

O Irã tem bomba nuclear?

Com base nas informações disponíveis publicamente: não há confirmação de que o Irã possua ogivas nucleares. A AIEA afirma não ter evidência de um programa coordenado de armas atualmente ativo.

Um relatório do Instituto Nacional de Estudos de Segurança de Israel (INSS) considerou o Irã como um “Estado de capacidade nuclear latente”; ou seja, um país que não tem a bomba, mas tem condições técnicas de produzi-la caso decida fazê-lo.

E por que isso preocupa tanto?

A principal preocupação de Washington e Tel Aviv é estratégica. Uma arma nuclear iraniana poderia:

  • Alterar o equilíbrio de poder no Oriente Médio;
  • Incentivar uma corrida armamentista regional (especialmente com Arábia Saudita);
  • Aumentar o risco de erro de cálculo em momentos de crise.

Por outro lado, tem a perspectiva que se Irã obtivesse uma arma nuclear, o cenário tenderia à dissuasão mútua, semelhante ao que ocorreu entre potências nucleares durante a Guerra Fria.

Mas, enquanto as inspeções internacionais não forem plenamente retomadas e um novo acordo não for estabelecido, a incerteza continuará sendo o principal combustível da tensão.

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