O clérigo iraniano Mojtaba Khamenei, filho do Aiatolá Ali Khamenei, aparece como um dos principais nomes para assumir a liderança suprema do Irã após a morte do pai em ataques militares realizados pelos Estados Unidos e Israel.
A sucessão ocorre em um momento de forte tensão geopolítica no Oriente Médio, com impactos diretos no mercado global de energia. As informações são do Valor Econômico.
Sobrevivente do ataque
Mojtaba Khamenei sobreviveu aos ataques aéreos realizados por forças americanas e israelenses que resultaram na morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei.
Segundo duas fontes iranianas ouvidas pela Reuters, ele não estava em Teerã quando o complexo onde o líder supremo trabalhava foi atingido.
Ali Khamenei governava o Irã desde 1989 e era uma das figuras mais influentes do Oriente Médio. Após a confirmação de sua morte, a Assembleia de Peritos, órgão responsável por escolher o líder supremo, iniciou discussões para definir o sucessor.
Durante as deliberações, Mojtaba passou a ser visto como um dos favoritos para assumir o cargo. Israel afirmou que qualquer líder que suceda o regime atual poderá se tornar alvo militar.
Um clérigo influente nos bastidores do poder
Segundo a CNN Brasil, Mojtaba Khamenei tem 56 anos e é o segundo filho do antigo líder supremo do Irã.
Ele se tornou conhecido dentro do regime por exercer influência significativa nos bastidores da política iraniana.
O clérigo mantém relações próximas com a Guarda Revolucionária Islâmica, considerada a força militar mais poderosa do país.
Essa instituição exerce papel central na política interna e na estratégia militar do Irã. Segundo autoridades iranianas, setores da Guarda Revolucionária defendem a nomeação de Mojtaba como líder supremo.
Eles argumentam que o clérigo teria capacidade para conduzir o país em meio à atual crise militar. Ainda assim, sua candidatura enfrenta obstáculos dentro da estrutura religiosa iraniana.
Ele não ocupa um cargo oficial relevante no regime e não possui o grau religioso mais alto exigido tradicionalmente para o posto.
Além disso, Mojtaba foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2019. A sucessão também gera debates dentro da elite religiosa xiita, que historicamente evita a transmissão de poder entre membros da mesma família.
Influência militar
De acordo com o portal ND+, apesar de raramente aparecer em público, Mojtaba Khamenei é considerado uma figura influente nas instituições políticas e de segurança do Irã.
Durante décadas, ele atuou dentro do gabinete do líder supremo, ajudando a coordenar decisões estratégicas ao lado do pai.
Seu histórico inclui participação no Batalhão Habib durante a Guerra Irã-Iraque nos anos 1980. Essa experiência ajudou a construir relações duradouras com militares e comandantes que posteriormente assumiram posições importantes dentro do aparato de segurança iraniano.
Ao mesmo tempo, Mojtaba também enfrenta críticas da oposição. Ele já foi acusado por adversários políticos de influenciar processos eleitorais e de participar da repressão a protestos internos.
Outro ponto de debate envolve suas credenciais religiosas. A Constituição iraniana estabelece que o líder supremo deve possuir alto reconhecimento como autoridade religiosa.
Apesar de ter estudado em seminários tradicionais da cidade de Qom, Mojtaba não é amplamente reconhecido como um dos principais estudiosos do islamismo xiita.
Caso seja confirmado no cargo, a escolha representaria um momento histórico. Seria a primeira vez desde a Revolução Islâmica de 1979 que o poder passaria diretamente de pai para filho dentro do regime.
O que a possível sucessão significa para a economia global?
O país possui uma das maiores reservas de petróleo e gás do mundo e exerce influência estratégica no Golfo Pérsico. Mudanças na liderança iraniana podem alterar decisões sobre exportação de energia, alianças militares e negociações internacionais.
Para empresas globais, a instabilidade política na região tende a aumentar custos logísticos e elevar riscos comerciais. Setores como transporte marítimo, energia e commodities costumam reagir rapidamente a mudanças no cenário geopolítico.
Para investidores, a sucessão também pode afetar o preço do petróleo e o comportamento dos mercados financeiros. Oscilações nesses ativos costumam influenciar inflação, juros e decisões de investimento em diferentes países.
Microempreendedores e consumidores podem sentir reflexos indiretos dessas mudanças, especialmente em custos de combustível, transporte e importações.

