O Banco Master voltou a ser destaque esta semana com a prisão de Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição, que também resultou no suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, envolvido no caso, segundo a Polícia Federal.
Vorcaro foi detido novamente por ordem do ministro André Mendonça, do STF e também relator da CPI do caso. As investigações sobre suspeitas de fraude financeira, cooptação de servidores e uso de uma estrutura paralela para intimidar adversários ainda estão em andamento.
Detalhes do O Brasilianista também mostram que foram presos o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e outros integrantes do grupo investigado. Também foi divulgada uma lista de deputados que tiveram contato com o banqueiro, seja por reuniões ou mensagens. O escândalo ganhou repercussão ampla, afetando desde grandes clubes de futebol até setores estratégicos da economia e da previdência pública.
O debate sobre pessoas envolvidas abriu margem para outras empresas que podem sofrer com o caso. O escândalo atinge desde clubes gigantes do futebol a setores estratégicos da economia e previdência pública, detalhados pelo UOL.
Entre os clubes de futebol estão:
Atlético Mineiro: A Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do clube recebeu um aporte de R$ 300 milhões de Daniel Vorcaro. Contudo, a origem desses ativos é alvo de auditoria sob suspeita de fraude. O investidor, que anteriormente ocupava uma cadeira no Conselho de Administração da SAF, acabou destituído do cargo logo após sua detenção.
Corinthians: A gestão do Fundo Arena, estrutura responsável pelo fluxo financeiro e pelos débitos relativos à construção do estádio em Itaquera, estava sob responsabilidade da Reag Investimentos. Esta gestora agora figura entre os nomes citados no inquérito que envolve a instituição bancária.
Palmeiras: O clube alviverde optou pela rescisão de um contrato publicitário avaliado em R$ 30 milhões com o Grupo Fictor, que possui vínculos com o Master. Atualmente, a agremiação busca o ressarcimento de uma dívida pendente de R$ 2,66 milhões deixada pelo grupo.
Empresas e setores afetados
- SETOR FUNERÁRIO
Grupo Cortel: a concessionária, que administra necrópoles como Araçá, São Paulo e Vila Nova Cachoeirinha, sofreu abalos institucionais. Fabiano Campos Zettel, conselheiro da empresa em 2023 e cunhado de Vorcaro, foi detido pelas autoridades.
Grupo Maya: responsável pelas unidades de Campo Grande, Lapa e Saudade, a empresa captou R$ 77,9 milhões junto ao Master. O montante visava quitar obrigações fiscais junto à Prefeitura de São Paulo e custear operações internas.
- SAÚDE
Bionm: especializada em biofarmácia e fornecedora estratégica de insulina para o SUS, a companhia tinha o Banco Master como seu sócio majoritário.
Oncoclínicas: a rede de tratamento oncológico alocou mais de R$ 430 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) da instituição. Além disso, o banco detinha uma participação societária superior a 15% na empresa.
- INFRAESTRUTURA, ENERGIA E MEIO AMBIENTE
Ambipar: a multinacional de gestão ambiental possui conexões com Nelson Tanure, apontado como parceiro de negócios oculto de Vorcaro. Ambos consolidaram cerca de 15% do capital da empresa, sendo que uma fatia expressiva dessas ações foi transferida a Tanure com um desconto de 40% sobre a cotação oficial.
Emae: a companhia energética, sob controle de Tanure, mantinha R$ 144 milhões aplicados em títulos do Master antes de sua integração à Sabesp.
Cedae: a estatal de águas e esgotos do Rio de Janeiro também registrou exposição financeira, com aplicações em CDBs que ultrapassam os R$ 240 milhões.
- CULTURA E VAREJO
Cine Belas Artes: o tradicional cinema paulistano perdeu o aporte financeiro da Reag Investimentos, o que resultou na retirada do nome da empresa da fachada do estabelecimento (anteriormente Reag Belas Artes).
Supermercados Dia: em processo de recuperação judicial, a rede varejista é outra operação ligada a Tanure, apresentando R$ 163 milhões investidos em papéis do Letsbank, braço operacional do grupo Master.
Previdência sob riscos
A crise financeira atinge diretamente o funcionalismo público. Institutos de previdência de 15 municipalidades, além de órgãos estaduais como Rioprevidência, Amapá Previdência e Amazonprev, aportaram conjuntamente mais de R$ 1 bilhão em ativos ligados ao banco.
Caso essas empresas não consigam honrar os pagamentos, o Tesouro Estadual deverá intervir para garantir o sustento de aposentados e pensionistas.

