Os efeitos da escalada militar no Oriente Médio começaram a chegar ao mercado de combustíveis no Brasil nesta quinta-feira (05).
Distribuidoras já entregaram diesel e gasolina com preços mais altos, reflexo da instabilidade internacional provocada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Segundo o presidente do Sindicombustíveis do Distrito Federal, Paulo Tavares, o diesel foi entregue com aumento de R$ 0,20 por litro, enquanto a gasolina registrou alta de R$ 0,03 nas distribuidoras.
Alta nos combustíveis já aparece nas distribuidoras
Em nota recebida pelo O Brasilianista, o Sindicombustíveis DF informou que os efeitos do conflito internacional começaram a impactar diretamente o abastecimento no Brasil.
O presidente da entidade, Paulo Tavares, afirmou que o reajuste ocorre apesar da queda registrada recentemente no preço do etanol anidro.
Na prática, o aumento no preço do diesel costuma ter efeito amplo na economia brasileira. Isso ocorre porque cerca de 65% do transporte de cargas no país depende do combustível.
Para empresários do setor logístico, agronegócio e comércio, a alta tende a elevar custos de transporte e pressionar margens de lucro.
Microempreendedores também podem sentir o impacto em atividades como entregas, serviços e transporte urbano.
Escalada geopolítica amplia tensão internacional
Como divulgado pelo O Brasilianista, a elevação das tensões ocorre após o início de ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que desencadearam uma nova fase de instabilidade no Oriente Médio.
O conflito envolve uma complexa rede de alianças globais e regionais. De um lado, os Estados Unidos contam com o apoio de países como Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Egito e Jordânia.
Na outra frente, o Irã atua por meio de alianças menos formais, estruturadas em torno do chamado “eixo de resistência”. Entre os principais grupos alinhados a Teerã estão o Hezbollah, no Líbano, o Hamas, na Palestina, e os Houthis, no Iêmen.
Petróleo mais caro pode influenciar juros e inflação
Como apurado pelo O Brasilianista, a guerra no Oriente Médio também passou a influenciar decisões de política monetária nos Estados Unidos.
Investidores avaliam que o conflito pode atrasar cortes de juros planejados pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Quando o custo da energia sobe, a inflação tende a aumentar. Nesse cenário, bancos centrais costumam adotar mais cautela antes de reduzir juros.
Contratos futuros indicam atualmente há uma probabilidade de 30,7% de corte de juros pelo Fed, abaixo dos 49,6% registrados na semana anterior.
Além disso, o movimento costuma pressionar o câmbio e afetar decisões do Banco Central do Brasil sobre a taxa Selic.
Preço da energia sobe após fechamento de rota estratégica
Como já dito pelo O Brasilianista, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que o impacto econômico da guerra dependerá da duração do conflito e dos danos causados à infraestrutura energética da região.
Desde o início da ofensiva militar contra o Irã, o preço do petróleo Brent subiu cerca de 15%, alcançando US$ 83 por barril.
Um dos fatores por trás da alta foi o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A passagem é responsável por aproximadamente 20% do petróleo transportado globalmente. Quando essa rota sofre interrupções, o mercado internacional reage imediatamente.
Guerra também ameaça exportações brasileiras
Como informado pelo O Brasilianista, o conflito também acendeu alerta no setor de exportação de carne bovina do Brasil.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec) estima que até 40% das exportações brasileiras podem ser afetadas caso os entraves logísticos na região persistam.
Embora o Oriente Médio represente cerca de 10% a 15% das exportações diretas, a região funciona como um hub logístico estratégico para cargas destinadas à Ásia.
Portos como Bahrein, Catar, Omã e Emirados Árabes Unidos servem como escalas técnicas para embarques que seguem para mercados asiáticos.
Com a escalada do conflito, companhias marítimas já passaram a cobrar taxas adicionais de risco, chamadas de “taxas de guerra”, que podem chegar a US$ 4 mil por contêiner.
Para frigoríficos e exportadores, o impacto vai além da demanda. O principal gargalo está no aumento do custo logístico e no risco de interrupção de rotas marítimas.
Caso parte das exportações não consiga sair do país, o setor teme excesso de oferta no mercado interno e queda nos preços da cadeia pecuária.

