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Justiça

Entenda os desdobramentos do suícidio de Sicário, capanga do dono do Banco Master

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão estava detido na carceragem da Superintendência da PF em Belo Horizonte

Caso Master: Os pagamentos do papai

Os acontecimentos envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, atingiram um ponto crítico nesta semana com a descoberta de que o banqueiro pagava R$ 1 milhão por mês para um grupo espionar, amedontrar e agredir desafetos.

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Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi apontado pelas investigações da Polícia Federal (PF) como o braço direito de Daniel Vorcaro em operações de intimidação e espionagem. Preso na quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, Mourão se matou poucas horas depois.

Sicário estava detido na carceragem da Superintendência da PF em Belo Horizonte (MG), foi socorrido por agentes federais e levado ao hospital, onde foi feita a confirmação de morte cerebral. A PF vai investigar o suícidio de Mourão.

Segundo a PF, Sicário foi encontrado desacordado na cela. A defesa de Mourão disse que “esteve pessoalmente com ele durante o dia, até por volta das 14h, quando ele se encontrava em plena integridade física e mental. A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal”.

A PF diz que Sicário chefiava “A Turma”, grupo responsável por monitorar, ameaçar e neutralizar adversários de Vorcaro, incluindo jornalistas, autoridades e ex-funcionários. Mensagens apreendidas mostram Vorcaro ordenando que o grupo “quebrasse os dentes” de um colunista de O Globo e “moesse” uma ex-empregada.

O Colapso do Banco Master

As investigações da PF e do Ministério Público Federal (MPF) apontam que o Banco Master vendia títulos podres para exibir uma liquidez inexistente e teria cooptado servidores do Banco Central para facilitar aprovações e “limpar” documentos técnicos. O rombo estimado para o sistema financeiro pode ultrapassar os R$ 50 bilhões, tornando-se um dos maiores casos de fraude bancária da história do Brasil.

O cenário mudou drasticamente em novembro de 2025, quando o que parecia ser uma expansão agressiva se revelou um esquema de fraudes bilionárias. Confira a cronologia do Caso Master:

PeríodoAcontecimentosNovembro 2025Daniel Vorcaro é preso pela primeira vez ao tentar sair do país. No dia seguinte (18/11), o Banco Central decreta a liquidação extrajudicial do Banco Master por crise de liquidez e suspeitas de créditos falsos.Dezembro 2025Vorcaro é solto mediante uso de tornozeleira. O caso sobe para o STF sob relatoria de Dias Toffoli, que impõe sigilo absoluto, gerando críticas de órgãos de controle.Janeiro 2026A crise se espalha para outras instituições ligadas ao grupo, como o Banco Will. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começa a pagar bilhões em ressarcimentos a clientes.Fevereiro 2026O ministro André Mendonça assume a relatoria no STF no lugar de Toffoli e retira o sigilo de provas cruciais colhidas pela PF, permitindo o avanço das investigações sobre a “milícia privada”.Março 2026A PF deflagra nova fase da Operação Compliance Zero. Vorcaro é preso novamente e transferido para o presídio de Guarulhos (SP). O bloqueio de bens do grupo chega a R$ 22 bilhões.