O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a transferência do controle da Braskem para a gestora IG4 Capital, operação que encerra um longo processo de negociações envolvendo credores da Novonor (antiga Odebrecht) e abre uma nova etapa na gestão da maior petroquímica da América Latina. As informações são da Broadcast.
A decisão permite que a IG4 se torne oficialmente sócia da Petrobras e avance no plano de reestruturação financeira e operacional da empresa, que nos últimos anos enfrentou dificuldades decorrentes da crise petroquímica e de passivos acumulados pela antiga controladora.
Segundo o Cade, a operação em questão foi enquadrada como uma “substituição de agente econômico”, já que a gestora não atua diretamente no setor químico ou petroquímico, o que significa que a mudança de controle não altera a estrutura concorrencial e estratégica do mercado.
Como funcionou a operação?
Com o negócio, o fundo assessorado pela IG4 passa a deter cerca de 50,1% do capital votante da Braskem e 34,3% do capital total, participação obtida após a aquisição de aproximadamente R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor junto a bancos como Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BNDES.
A estrutura da transação envolve dois fundos criados para reorganizar as dívidas e o controle acionário da petroquímica. Um deles é um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), que concentra os créditos que os bancos tinham a receber da Novonor. Esses recursos deverão ser pagos com a venda futura das ações da Braskem ou com a valorização do ativo, processo que pode levar até cinco anos.
Já o controle acionário foi transferido para um Fundo de Investimento em Participações (FIP), por meio do qual a IG4 passa a compartilhar a gestão da companhia com a Petrobras, atual sócia da empresa.
Uma venda que levou anos
A transferência marca o fim de um processo que se arrastou por anos. Desde a Operação Lava Jato, a Novonor tentava vender sua participação na Braskem para reduzir dívidas e reorganizar suas operações.
Diversos interessados chegaram a negociar a compra do ativo, mas as tratativas não avançaram, em parte devido às incertezas sobre a governança da empresa e às condições do mercado petroquímico.
O cenário também foi agravado pelo caso geológico em Maceió, em Alagoas, ligado à exploração de sal-gema pela companhia, que gerou custos bilionários e impactos reputacionais relevantes.
Além disso, o setor petroquímico atravessou nos últimos anos um período de queda de margens e excesso de capacidade global, pressionando o valor de mercado da empresa.
O que é a Braskem?
Criada em 2002, a Braskem se tornou a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas e uma das principais petroquímicas do mundo. A companhia atua na produção de insumos básicos da indústria do plástico, como polietileno, polipropileno e PVC, matérias-primas utilizadas em setores que vão da indústria automotiva à construção civil, embalagens, eletroeletrônicos e bens de consumo.
A empresa possui operações industriais no Brasil, Estados Unidos, México e Europa, além de presença comercial em diversos países. Nos últimos anos, a Braskem também tem investido em iniciativas ligadas à economia circular e ao desenvolvimento de plásticos de origem renovável, como o chamado “plástico verde”, produzido a partir do etanol da cana-de-açúcar.
O que acontece agora?
Com a aprovação do Cade, o próximo passo será a formalização do novo acordo de acionistas entre IG4 e Petrobras, que definirá a governança da companhia.
A expectativa do mercado é que a nova estrutura permita acelerar a reorganização financeira da petroquímica e recuperar o valor da empresa no médio prazo.
O desafio da nova gestão será equilibrar a redução do endividamento, a retomada da competitividade no setor petroquímico global e a gestão de passivos ainda associados ao caso de Alagoas.

