A guerra no Irã traz certos problemas para a China, que vão além da diplomacia. Durante anos, os dois países foram aliados comerciais, visto que os chineses são os maiores importadores de petróleo iraniano — cerca de 80%, de acordo com a CNN.
Com a escalada dos conflitos, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, que levava cerca de 3,4 milhões de barris de petróleo para a China todos os dias. Em geral, a os chineses precisam do combustível para manter suas fábricas em funcionamento, visto que produz pouca energia.
Segundo o National Geographic, o Estreito de Ormuz é o único canal que liga a passagem de petróleo do Golfo ao Oceano Índico. Isso significa que os navios petroleiros que circulam na região transportam diariamente cerca de 30% do consumo total da commodity.
Apesar dos pedidos da China de mais segurança ao Estreito, é muito improvável que o Irã ajude o parceiro em meio aos bombardeiros.
Em troca de petróleo mais barato, por anos, a China estava disposta a oferecer proteções nucleares aos iranianos. Foi justamente na negociação de um míssil que afetaria embarcações americanas que os Estados Unidos iniciaram os confrontos contra o Irã.
Porém, agora, Teerã não pode mais contar com seus “aliados”, visto que já mostrou estar disposto a atacá-los, como mostrou o InfoMoney. Ao mesmo tempo, o país não deve facilitar o comércio de petróleo para a China.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia global
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Em meio ao bloqueio do Estreito e ataques a territórios iranianos, foi criado um vácuo de poder e elevou o risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, afetando não apenas bolsas internacionais, mas também a percepção sobre o real e investimentos no Brasil.
Brasil tem oportunidade de fortalecer parceria comercial com a China
Em meio à guerra e bloqueio do Estreito, o Brasil pode se beneficiar visto que produz e exporta petróleo líquido. A Petrobras, por exemplo, já indicou que o conflito não afetaria a demanda em massa da commodity.
Ao mesmo tempo, a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. De acordo com os dados da balança comercial de fevereiro, no acumulado de 2026, em relação a igual período do ano anterior, as vendas para China cresceram 25,7% e atingiram US$ 13,47 bilhões.
Os setores que mais concentram exportações brasileiras à China são voltados à Agropecuária, mas a guerra cria uma oportunidade de comercializar mais petróleo e outras fontes de energia.

