O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), anunciou nesta sexta-feira (6) sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026. Em um “manifesto ao Brasil” divulgado nas redes sociais, o governador afirmou que o país vive um “problema de direção” e defendeu um novo ciclo de desenvolvimento baseado em responsabilidade fiscal e reorganização institucional.
No documento, Leite argumenta que o cenário político brasileiro exige mais do que a repetição da polarização que marcou as últimas disputas presidenciais. Para ele, a eleição será decisiva para definir se o país continuará preso a conflitos políticos ou se abrirá espaço para um novo modelo de governança.
“Não estamos diante de uma eleição comum. Estamos diante da escolha entre continuar administrando polarizações ou inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento”, afirmou. As informações são da CNN.
Críticas ao funcionamento do Estado
No manifesto, o governador também defendeu o reequilíbrio entre os três Poderes e criticou distorções que, segundo ele, comprometem o funcionamento do Estado brasileiro.
De acordo com o governador, sem coordenação entre Executivo, Legislativo e Judiciário será difícil avançar em reformas estruturais que beneficiariam o progresso do Brasil.
“Precisamos reequilibrar as funções dos 3 Poderes. Com diálogo, transparência e visão de país. Não faz sentido esperarmos resultados diferentes se nosso padrão não muda. Precisamos de um a nova lógica de funcionamento institucional e político que combinem responsabilidade fiscal, metas claras, avaliações constantes de desempenho e foco consistente em educação, segurança, saúde e crescimento econômico com proteção social para famílias brasileiras”, afirmou o pré-candidato.
Banco Master e a corrupção
Entre os pontos citados estão privilégios no setor público, a chamada “farra de emendas parlamentares” e os supersalários pagos por meio de benefícios adicionais. Leite também mencionou outros episódios recentes ligados à operação Operação Lava Jato e o caso do Banco Master como exemplos de problemas institucionais e de governança que, segundo ele, precisam ser enfrentados e combatidos.
Em entrevista à CNN, ao ser questionado sobre sua opinião a cerca do Banco Master e da sua ligação com Daniel Vorcaro, Leite foi convicto: “Nunca conversei e acho chocante o que estamos observando, merece a mais profunda investigação com rigor absoluto para que se possa esclarecer absolutamente tudo que ali tenha acontecido”. Também defendeu que é preciso colocar a limpas as relações mantidas por políticos com alguém que abalou profundamente o sistema financeiro do Brasil.
Já ao comentar os inúmeros escândalos que envolvem o cenário político atual, Leite falou que compreende que isso cause uma desolação na população. “Parece que não tem jeito, que o país está rendido a interesses de grupos específicos que se apropriaram do Estado para defender seus próprios interesses, mais aí que temos que puxar para outro lado”, explicou Leite.
Para ele, é preciso questionar caráter, integridade e jornada dos candidatos.
Agenda econômica e institucional
Na área econômica, Leite defendeu a responsabilidade fiscal como uma “agenda de país” e sugeriu a adoção de metas claras de desempenho para a administração pública.
Ele também destacou a necessidade de desburocratização do País, ampliação de parcerias com o setor privado em projetos de infraestrutura e uma estratégia nacional voltada, principalmente, à melhoria da educação básica como eixo central para aumentar a produtividade da economia.
Disputa interna no PSD
Dentro do Partido Social Democrático, Leite não é o único nome cogitado para disputar o Palácio do Planalto. Também são apontados como possíveis candidatos os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Ratinho Júnior (Paraná). Em janeiro, Caiado chegou a anunciar a sua saída do União Brasil e divulgou um vídeo ao lado de Leite e Ratinho Jr. no qual os três afirmam ter firmado um compromisso de apoiar aquele que for escolhido como candidato do grupo na disputa presidencial de 2026.
Em entrevista à CNN, ao ser questionado sobre a competição interna e divisão desse espaço no partido, Leite afirma que apesar de ter pré-canditaduras propostas o ambiente do partido é “um ambiente bastante saudável”, onde “cada um dos pré-candidatos possam expressar sua forma de ver o Brasil, a sua forma de fazer política e o seu pensamento em termos de prioridade para agenda nacional”.
Leite também fez questão de dizer que a diferença da sua candidatura está, justamente, na “ousadia de não abraçar nenhum dos polos que protagonizam o processo político brasileiro dos últimos anos”, relembrando que não apoio nenhum dos políticos que foram ao segundo turno em 2022.
“Nosso sistema não é binário. Existe alternativas e eu defendo que a gente crie um caminho de Brasil que a agenda seja sobre enfrentar desafios e não desafetos. Não é sobre destruir um adversário, mas sobre enfrentar problemas que estão no dia a dia da população”, defendeu o então governador.
A movimentação indica uma tentativa de combate ao atual cenário de polarização no país, embora ainda não esteja definido qual dos três governadores representará o partido na corrida pelo Planalto.

