O Exército brasileiro apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma proposta estratégica para modernizar a defesa nacional diante das transformações no cenário militar internacional.
O plano prevê a necessidade de R$ 456 bilhões até 2040 para preparar o país para novas ameaças, especialmente as relacionadas ao uso crescente de drones e tecnologias digitais em conflitos armados. As informações são do Estadão.
A proposta foi elaborada pelo Estado-Maior do Exército após questionamentos do governo sobre quais investimentos seriam necessários para garantir a segurança nacional em um ambiente geopolítico cada vez mais instável.
Defesa aérea e modernização militar entram no centro da estratégia
Um dos pilares do plano envolve a criação de uma capacidade inédita na Força Terrestre brasileira: a defesa antiaérea de média altitude.
Atualmente, o Exército possui sistemas voltados principalmente para alvos de baixa altura. A nova estrutura permitiria proteger instalações estratégicas contra ameaças mais complexas.
O projeto prevê a formação de três grupos de artilharia antiaérea equipados com baterias e mísseis de médio alcance.
O Brasil já iniciou as negociações com o governo italiano para adquirir o primeiro conjunto de sistemas. O acordo preliminar envolve duas baterias e custaria cerca de R$ 3,7 bilhões.
Os equipamentos poderão operar com diferentes tipos de radar e utilizar mísseis semelhantes aos empregados nas fragatas da Marinha brasileira.
A estratégia também inclui a proteção de infraestruturas críticas e áreas sensíveis do território nacional. Outra frente prevista no plano é a retomada de projetos de mísseis desenvolvidos no país.
Entre eles está um míssil tático de cruzeiro capaz de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância. Segundo dados do Exército, grande parte do desenvolvimento tecnológico desse sistema já foi concluída.
A Força também trabalha em um novo modelo de míssil balístico que deverá operar em conjunto com plataformas de lançamento já existentes.
O plano também inclui investimentos em modernização de veículos blindados e sistemas digitais de comando militar.
Conflitos recentes mostram transformação no uso de drones
De acordo com o jornal Estadão, os conflitos militares dos últimos anos têm demonstrado que drones se tornaram um dos principais elementos das guerras contemporâneas.
Operações conduzidas por Ucrânia, Rússia e Israel indicam que esses equipamentos podem ser utilizados de maneiras inesperadas e altamente eficazes.
Em alguns casos, drones foram introduzidos clandestinamente dentro do território adversário e lançados a partir de pontos estratégicos.
Esse tipo de operação mostrou que bases militares e instalações sensíveis podem ser vulneráveis mesmo longe das linhas de frente.
Autoridades americanas também passaram a revisar suas estratégias após ataques envolvendo drones. Um episódio ocorrido em 2024, quando três militares dos Estados Unidos morreram em um posto avançado na Jordânia, acelerou o debate sobre novos sistemas de defesa.
Desde então, as forças armadas americanas vêm investindo em redes de proteção que combinam diferentes camadas de defesa.
Entre as tecnologias em desenvolvimento estão sistemas capazes de interferir no sinal dos drones, mísseis interceptadores e equipamentos baseados em energia direcionada, como micro-ondas de alta potência.
Essas tecnologias permitem neutralizar vários drones ao mesmo tempo, em vez de derrubá-los individualmente.
Especialistas afirmam que a rápida evolução desses equipamentos tem surpreendido militares e governos.
Alguns drones utilizados em combate são relativamente baratos e podem ser modificados para missões específicas.
Esse fator altera a lógica tradicional das guerras, que historicamente dependiam de equipamentos mais caros e complexos.
Impacto para negócios
Startups e grandes fabricantes já desenvolvem soluções voltadas para a vigilância aérea, inteligência artificial militar e defesa antidrone.
Para investidores, o setor de segurança tecnológica tende a ganhar relevância nos próximos anos. Esse movimento também influencia decisões de governos que buscam reduzir dependência externa e fortalecer suas indústrias nacionais.
No caso brasileiro, o plano apresentado pelo Exército indica que a modernização militar está diretamente ligada ao avanço tecnológico global.
O documento agora será analisado pelo Ministério da Defesa e poderá orientar futuros investimentos estratégicos do país.

