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Economia

Briefing: Crise no petróleo, crédito na mira e pressão sobre o STF

A guerra na região do Golfo elevou fortemente os preços do petróleo e provocou turbulência nos mercados de energia

Briefing: volatilidade do petróleo, pressões fiscais e crise

A escalada do conflito no Oriente Médio, novas medidas econômicas em preparação pelo governo federal e os desdobramentos do caso Banco Master dominaram o noticiário político e econômico do país nos últimos dias. As reportagens dos principais jornais mostram um cenário de instabilidade internacional com reflexos nos mercados, ao mesmo tempo em que Brasília se movimenta em torno de pautas econômicas e investigações que atingem o sistema financeiro e o Supremo Tribunal Federal.

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No cenário externo, a guerra na região do Golfo elevou fortemente os preços do petróleo e provocou turbulência nos mercados de energia. Segundo a Folha de S.Paulo, o barril do Brent chegou a disparar até 29%, atingindo US$ 119,50, o maior nível desde abril de 2020, enquanto o WTI avançou mais de 30%. A escalada ocorre após grandes produtores do Oriente Médio reduzirem a produção e diante do fechamento quase total do estreito de Hormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.

Kuwait e Emirados Árabes Unidos iniciaram cortes na produção diante do acúmulo de estoques, enquanto o Iraque já havia suspendido parte das operações. O cenário se agravou após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, ampliando as tensões geopolíticas e trazendo incerteza sobre o abastecimento global de energia.

Crédito consignado

No Brasil, o governo do presidente Lula prepara novas medidas para reduzir os juros do crédito consignado para trabalhadores do setor privado e aposentados do INSS. De acordo com o jornal O Globo, o Ministério do Trabalho avalia estabelecer um teto para as taxas cobradas nessa modalidade ainda neste mês.

Entre as iniciativas em estudo está a possibilidade de permitir que trabalhadores utilizem o saldo do FGTS como garantia em empréstimos consignados. A medida depende de ajustes nos sistemas da Dataprev e poderá entrar em operação entre abril e maio.

O governo também discute a criação de uma nova plataforma dentro do aplicativo Meu INSS para a oferta de crédito consignado a aposentados por meio de um sistema de leilão entre os bancos. A expectativa é que o modelo aumente a concorrência e reduza as taxas cobradas. O chamado “Crédito do Trabalhador”, lançado há quase um ano, soma atualmente cerca de R$ 110 bilhões em operações, mas ainda enfrenta críticas em relação aos juros, segundo O Globo.

Minha Casa, Minha Vida

Na área habitacional, o ministro das Cidades, Jader Filho afirmou ao Valor Econômico que o governo propôs ampliar o limite de renda das famílias enquadradas na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida. A mudança deve gerar impacto de cerca de R$ 500 milhões no FGTS, elevando o orçamento destinado a subsídios de R$ 12,5 bilhões para R$ 13 bilhões. Caso aprovado pelo Conselho Curador do fundo, o montante será o maior reservado para descontos desde 2011.

Banco Master

Enquanto isso, o caso Banco Master continua a produzir novos desdobramentos no sistema de Justiça. A Polícia Federal investiga possíveis crimes financeiros relacionados a fundos ligados ao resort Tayayá, empreendimento que teve participação de empresa da família do ministro do STF Dias Toffoli. Conforme revelou a Folha de S.Paulo, o magistrado não é investigado, mas as autoridades pretendem aprofundar as análises com quebras de sigilo e relatórios do Coaf para identificar transações suspeitas.

Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, o caso também provocou desconforto entre os ministros. Segundo o Valor Econômico, integrantes da Corte avaliam que a crise envolvendo o Banco Master colocou o tribunal no centro de um novo desgaste institucional. Nesse cenário, o ministro Alexandre de Moraes também passou a ser alvo de questionamentos, enquanto o relator das investigações, André Mendonça, tende a ganhar protagonismo na condução dos inquéritos.

Investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República decidiram priorizar inicialmente as apurações sobre crimes financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro antes de ampliar o foco para eventuais conexões políticas. De acordo com o O Estado de S. Paulo, a estratégia busca evitar a dispersão das investigações e impedir que a divulgação prematura de nomes comprometa a coleta de provas.

Mensagens atribuídas a Vorcaro que mencionariam interlocuções com Moraes também não são, por enquanto, alvo central da investigação, já que os investigadores afirmam não haver indícios de crime envolvendo o ministro. Em meio às controvérsias, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, negou ter recebido uma mensagem do banqueiro que consta em registros analisados pela CPI do INSS, acrescentando mais um capítulo à crise.

Com tensões internacionais elevando o preço da energia, iniciativas econômicas voltadas ao crédito e um caso financeiro que respinga no Judiciário, o noticiário desta semana revela um ambiente de forte pressão simultânea sobre a economia e as instituições políticas brasileiras.