O conflito no Oriente Médio criado por Israel e Estados Unidos contra o Irã provocou um impacto imediato nos mercados globais. Em poucos dias, houve uma alta expressiva nos preços do petróleo, do gás natural e queda nas bolsas de valores. O caso deixa diversos países vulneráveis. O barril de petróleo Brent chegou a US$ 119,50, a maior cotação em quatro anos, mas caiu para US$ 106,73 após a divulgação de uma reunião de emergência do G7, grupo dos países mais industrializados do mundo.
De acordo com o The Guardian, a reunião, foi realizada nesta segunda-feira, 9 de março, por videoconferência e coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE). A França convocou a reunião para avaliar medidas para conter a disparada dos preços do petróleo. Possivelmente, haverá liberação de reservas estratégicas de petróleo.
Detalhes do Estadão, explicam que durante a reunião, ministros e presidentes de bancos centrais discutiram cenários de curto e médio prazo, buscando coordenar ações que evitem um efeito dominó na economia global.
Autoridades norte-americanas indicam que qualquer aumento adicional no preço do petróleo deve ser tratado como consequência temporária do conflito, mas alertam que a continuidade da instabilidade geopolítica pode prolongar o impacto econômico global, elevando custos de energia e pressionando cadeias produtivas em diversos setores.
O G7, atualmente sob presidência da França, também inclui Alemanha, Canadá, Estados Unidos, Itália, Japão e Reino Unido.
O preço do barril
Foram discutidos a liberação conjunta de 300 a 400 milhões de barris (entre 25% a 35% do total de 1,2 bilhão) para mitigar o impacto no abastecimento e reduzir a pressão sobre os preços. Até o momento, três países do G7, incluindo os Estados Unidos, já teriam manifestado apoio à medida
O conflito afeta diretamente o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial. Com o bloqueio da região, produtores do Golfo, como o Kuwait e o Irã, anunciaram cortes preventivos na produção, intensificando a volatilidade no mercado internacional.
O efeito imediato é sentido no preço do gás natural: no Reino Unido, a cotação para o mês seguinte subiu 19%, enquanto na Europa continental a alta chegou a 16%.
Como que fica a economia?
A instabilidade nos preços do petróleo tem repercussões amplas sobre a economia global. Bolsas de valores na Europa, Ásia e Estados Unidos registraram queda generalizada: o índice FTSE 100 do Reino Unido recuou 1,9%, o DAX da Alemanha quase 1%, e o Stoxx Europe 600, que monitora as principais empresas do continente, caiu 1,5%, eliminando ganhos acumulados no ano.
Pode haver aumentos abruptos nos custos de energia pressionam a inflação, reduzem a confiança do consumidor e afetam diretamente o custo da produção industrial. Setores como transporte, indústria química e logística podem enfrentar aumento nos custos operacionais.
Já os consumidores vão sentir a elevação nos preços de produtos e serviços. Com a combinação de inflação elevada e menor poder de compra a capacidade de desaceleramento do crescimento econômico fica ainda mais evidente.
O caso também pode reduzir investimentos e aumentar a incerteza nos mercados financeiros causando o efeito dominó que afeta economias avançadas e emergentes do mundo.

