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Geopolítica

Como escolha do novo líder do Irã explica petróleo superar US$ 100?

Escalada militar na região pressiona mercado global de energia e aumenta volatilidade em bolsas internacionais

Como escolha do novo líder do Irã explica petróleo superar US$ 100?

O anúncio de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã provocou forte reação nos mercados de energia nesta segunda-feira (09), após a morte do aiatolá Ali Khamenei em ataques conduzidos por forças dos Estados Unidos e de Israel.

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O Brent chegou a registrar alta próxima de 23% em relação ao fechamento da semana anterior. Companhias petrolíferas suspenderam o trânsito de navios no Estreito de Ormuz a rota concentra aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.

A redução do fluxo logístico começou a pressionar a produção em alguns países produtores. Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos reduziram o ritmo de extração diante da dificuldade de exportar o petróleo armazenado.

Ao mesmo tempo, instalações de energia passaram a ser alvo direto de ataques militares, elevando o risco de interrupções adicionais no fornecimento global. As informações são do portal Terra.

Mercados acionários na Ásia e na Europa iniciaram a semana em queda diante do receio de que o conflito regional se prolongue e afete cadeias globais de energia.

Ataques a infraestrutura energética ampliam choque no mercado

A escalada nos preços da commodity também foi impulsionada por uma nova fase da guerra no Oriente Médio, marcada por ofensivas diretas contra instalações ligadas à produção e ao processamento de petróleo.

Segundo a CNN Brasil, ataques recentes atingiram depósitos e refinarias estratégicas tanto em território iraniano quanto em áreas controladas por Israel.

No domingo (08), contratos futuros do petróleo Brent e do WTI chegaram a ultrapassar US$ 110 por barril.

O movimento ocorreu após bombardeios atingirem estruturas utilizadas para armazenamento e distribuição de combustíveis.

Israel confirmou ataques a instalações energéticas em Teerã, enquanto autoridades iranianas declararam que uma refinaria localizada em Haifa foi atingida como resposta militar.

Dados recentes indicam que o fluxo de navios na região do Estreito de Ormuz caiu mais de 90%, com petroleiros aguardando autorização ou seguro para navegar.

Alta do petróleo pressiona bolsas e influencia Ibovespa

De acordo com o portal MoneyTimes, a tensão internacional chegou ao mercado brasileiro. No último pregão antes da disparada da commodity, o Ibovespa encerrou as negociações em queda de 0,61%, aos 179.364 pontos, acumulando recuo de cerca de 5% ao longo de cinco sessões consecutivas.

No exterior, os reflexos foram semelhantes. Bolsas asiáticas fecharam em baixa e os principais índices europeus operaram no negativo, enquanto os futuros de Wall Street indicavam abertura em queda.

O principal ETF brasileiro negociado em Nova York também registrou perdas no pré-mercado. Além da instabilidade no petróleo, investidores monitoram indicadores econômicos e resultados corporativos divulgados no país.

A temporada de balanços inclui empresas de setores como construção civil, varejo e infraestrutura, que podem ser impactadas por custos maiores de energia e transporte.

Interrupções na produção ampliam tensão nos mercados

Para o Brasil Agro, analistas do setor energético avaliam que o conflito no Oriente Médio pode provocar uma interrupção relevante no fornecimento global de petróleo nas próximas semanas.

Investidores já projetam que a cotação da commodity possa atingir patamares próximos de US$ 120 por barril.

O Brent chegou a tocar US$ 119,50 durante as negociações internacionais, registrando um dos níveis mais altos desde 2020.

O West Texas Intermediate também apresentou forte valorização, refletindo preocupações com gargalos logísticos e restrições na produção.

Analistas do banco JPMorgan estimam que a interrupção no fornecimento pode ultrapassar 4 milhões de barris por dia caso as restrições logísticas persistam.

Mojtaba Khamenei assume comando do regime iraniano

Como divulgado pelo O Brasilianista, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi escolhido pela Assembleia de Especialistas para assumir a liderança política e religiosa da República Islâmica.

Com 56 anos, Mojtaba já era apontado há anos como um dos nomes mais influentes dentro do círculo de poder do regime, apesar de não ocupar cargos formais no governo.

Ele é conhecido por sua proximidade com a Guarda Revolucionária, organização militar considerada o principal braço ideológico do sistema político iraniano. A escolha dele como líder indica uma continuidade da política de Ali Khamenei.

Nascido na cidade de Mashhad, no leste do país, o novo líder pertence a uma família religiosa tradicional. O turbante preto que utiliza simboliza descendência direta do profeta Maomé, característica valorizada no clero xiita.

Sua atuação política sempre foi considerada discreta. Ao longo dos anos, diplomatas e analistas internacionais apontaram que Mojtaba exercia influência nos bastidores da estrutura de poder estabelecida pelo pai.

Revolução de 1979 moldou economia e isolamento do Irã

Como apurado pelo O Brasilianista, a estrutura política atual do Irã tem origem na revolução islâmica de 1979, quando o país deixou de ser uma monarquia e passou a ser governado por uma república religiosa liderada por clérigos xiitas.

O movimento colocou o poder político sob supervisão direta de líderes religiosos conhecidos como aiatolás.

Após a ruptura diplomática com os Estados Unidos naquele período, Washington congelou bilhões de dólares em ativos iranianos e interrompeu importações de petróleo do país.

Nas décadas seguintes, novas sanções foram adotadas por governos ocidentais e por organismos internacionais.

Esse isolamento econômico limitou o acesso do Irã a capital estrangeiro, tecnologia e parcerias industriais.

Como consequência, a economia passou a depender fortemente das exportações de petróleo para sustentar receitas externas.

Dados históricos indicam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) iraniano desacelerou após a revolução.

Enquanto a economia avançava em média 9% ao ano entre 1960 e 1979, o ritmo caiu para cerca de 1,9% anual nas décadas seguintes.

Nos últimos anos, pressões inflacionárias e desvalorização da moeda local agravaram as dificuldades econômicas do país.

A inflação chegou a cerca de 40%, provocando aumento nos preços de alimentos e ampliando protestos sociais em diferentes cidades.

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