Além das preocupações em relação à demanda de petróleo, a guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã gera um alerta para as empresas de tecnologia. Isso porque o Oriente Médio está se desenvolvendo para manter estruturas importantes para o processamento de dados, bem como estratégias de inteligência artificial — um setor cuja demanda aumentou nos últimos anos.
Com a guerra, esses centros de dados podem estar comprometidos, assim como as empresas que investem nestes espaços. As informações são do Uol.
Especialistas debateram na semana passada, na feira de telecomunicações Mobile World Congress (MWC), que o cenário é muito instável e, caso o conflito se estenda, companhias de forte peso podem reconsiderar investimentos.
Conforme mostrado pelo O Brasilianista, a guerra entre Estados Unidos e Irã pode durar quatro a cinco semanas ou mais, segundo declarações recentes do presidente americano Donald Trump, feitas após o início dos ataques militares contra o território iraniano. A estimativa representa uma mudança de discurso do próprio governo, que inicialmente indicava que o confronto poderia terminar em poucos dias.
Até o final de semana em que os conflitos se iniciaram, o último de fevereiro, o Oriente Médio estava investindo para se tornar um polo tecnológico, segundo o Uol.
Impactos na distribuição de dispositivos e preços
A distribuição de smartphones e dispositivos, bem como os preços desses aparelhos, podem ser fortemente impactados pela guerra. Bloqueios comerciais e ataques a territórios conhecidos pela produção de chips e dispositivos prejudicam a cadeia de valor.
Em breve, são esperados efeitos colaterais como o aumento no valor de chips de memória (RAM), o que consequentemente encarece os aparelhos móveis. Vale destacar que o aumento dos preços pode não ter efeito global, visto que o Oriente Médio não é a única referência de produção desses elementos essenciais.
Dubai é um centro logístico importante para esse comércio, mas também sofre com ataques em território, o que prejudica a produção e comércio externo. Nesse cenário, avanços em IA se encarecem, o que prejudica as ações de empresas com planejamento voltado a essa tecnologia.
Entenda o conflito no Oriente Médio
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã se iniciou em 28 de fevereiro em meio ao aumento das tensões no Irã após os protestos da população e a ameaça de uso de arma nuclear. Antes dos bombardeios, os países trocaram ameaças fiscais e comerciais.
O conflito deve provocar reflexos tanto geopolíticos, a partir da intensificação das tensões no Oriente Médio, quanto econômicos, com impactos nos preços do petróleo e nos mercados globais. Os resultados do conflito podem ser observados nos principais mercados do mundo.
A China, outro polo de produção tecnológica, já expressou preocupação com o uso da força e os efeitos dessas operações sobre a estabilidade global e já disse que pretende proteger seus interesses, inclusive no abastecimento de energia, e promover soluções diplomáticas para crises externas.
Fechamento do Estreito é prejudicial para a economia global
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!. Em meio aos ataques dos EUA, o Irã bloqueou parte dessas ilhas.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Em meio ao bloqueio do Estreito e ataques a territórios iranianos, foi criado um vácuo de poder e elevou o risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, afetando não apenas bolsas internacionais, mas também a percepção sobre o real e investimentos no Brasil.

