A semana começou marcada por forte volatilidade no mercado internacional de petróleo, mudanças importantes na equipe econômica do governo e novos desdobramentos do caso Banco Master. As notícias revelam um cenário de incertezas que mistura geopolítica, eleições e debates sobre estabilidade financeira. A seguir, um resumo dos principais temas que dominaram o noticiário econômico, segundo reportagens da Folha de S.Paulo, O Globo, Valor Econômico e O Estado de S. Paulo.
A instabilidade no mercado de energia chamou atenção após o petróleo registrar a maior variação intradia já vista. O barril chegou a subir quase 30% e se aproximar de US$ 120, mas recuou rapidamente para a faixa de US$ 90 após declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o conflito no Irã estaria “praticamente encerrado”. Segundo a Folha de S.Paulo, o Brent fechou o dia em US$ 89,79 e o WTI em US$ 85,02.
A volatilidade preocupa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente pelo impacto potencial sobre combustíveis em ano eleitoral. Integrantes do PT avaliam reservadamente que eventual aumento no preço da gasolina e do diesel poderia ampliar a rejeição ao presidente durante a campanha, também de acordo com a Folha.
Ainda no setor de combustíveis, a defasagem entre os preços praticados no Brasil e os valores internacionais atingiu níveis inéditos. Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis indicam que o diesel vendido pela Petrobras estaria até 85% abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina teria defasagem de cerca de 49%. O presidente da Abicom, Sérgio Araújo, afirmou a O Globo que o mercado está “desorientado” e que espera algum reajuste.
Boletim Focus
No campo da política monetária, o cenário internacional também influenciou as projeções do mercado. Segundo o Boletim Focus do Banco Central do Brasil, as expectativas para a taxa básica de juros ao fim de 2026 subiram pela primeira vez no ano, passando de 12% para 12,13%. A Selic está atualmente em 15% ao ano e o mercado aposta em um ciclo de cortes mais gradual pelo Copom, informou O Globo.
Futuro de Haddad
A equipe econômica também deve passar por mudanças relevantes. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o cargo na próxima semana para disputar o governo de São Paulo, segundo a Folha de S.Paulo. Nos bastidores, o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, é apontado como provável sucessor, enquanto o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, pode assumir a posição de número dois do ministério, de acordo com O Estado de S. Paulo.
Ministério dos Transportes
Outra mudança prevista no governo envolve o Ministério dos Transportes. O atual titular, Renan Filho, deixará o cargo para disputar o governo de Alagoas e reassumir seu mandato no Senado. Segundo a Folha, o secretário-executivo da pasta, George Santoro, deve assumir o comando do ministério.
No sistema financeiro, o Congresso voltou a discutir um projeto que cria um novo modelo de supervisão bancária no país. A proposta prevê, entre outras medidas, a criação de um Fundo de Resolução para lidar com crises bancárias antes que recursos públicos sejam necessários. Relator do texto, o deputado Marcelo Queiroz afirmou ao Estadão que a ideia é ampliar a segurança jurídica e criar instrumentos para que recursos privados sejam utilizados em eventuais socorros ao sistema financeiro.
Banco Master
O tema ganhou força após o colapso do Banco Master, que gerou um prejuízo estimado em R$ 56 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, segundo o Estadão. O caso também repercute no campo político: o senador Alessandro Vieira protocolou pedido de CPI para investigar possíveis vínculos entre o banco e ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, informou a Folha.
Os desdobramentos do caso também atingiram outras instituições. A Folha noticiou que Belline Santana, ex-chefe da supervisão bancária do Banco Central, será substituído no conselho fiscal da fundação de previdência Centrus após investigações apontarem indícios de envolvimento com o episódio.
Em paralelo, o Banco de Brasília estuda solicitar financiamento de R$ 3,3 bilhões ao FGC para reforçar seu capital, segundo o Valor Econômico. A instituição também avalia alternativas como a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo do Distrito Federal e a venda de participação em sua financeira.
Por fim, dados recentes indicam expansão acelerada do emprego público no país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de trabalhadores no setor público cresceu 9,2% entre 2022 e o fim do ano passado, acima do crescimento de 5,6% da população ocupada em geral. Nos municípios, a alta chegou a 12,9%, movimento que, segundo economistas ouvidos pelo Valor Econômico, ocorre em meio à deterioração fiscal de diversas prefeituras.

