Com a perspectiva de que a guerra no Oriente Médio não deve afetar os ativos de risco por muito tempo, os investidores seguiram aplicando nos fundos de ações negociados em bolsa (ETFs) focados em mercados emergentes. As informações são do Capital Aberto.
Dias após o início do conflito na semana passada, foram injetados mais de US$ 600 milhões em ETFs de mercados emergentes, no mesmo dia em que o índice que mede os fundos — o MSCI Emerging Markets Equity — registrou maior baixa desde abril do ano passado.
O cenário de guerra reduziu os ganhos dos mercados em desenvolvimento, que começaram o ano em alta excepcional em meio a uma redução do dólar e fuga de investimentos dos Estados Unidos após diversas medidas protetivas no país.
Porém, os temores de um choque global nos preços do petróleo pressionam ações ao redor do mundo e aumentam as preocupações com a inflação e atraso nos cortes de juros, de acordo com a Reuters. Visto que os países emergentes não possuem grande autonomia na produção de alguns materiais, os investidores podem estar com maior cautela.
Na semana passada, ainda segundo a Reuters, os fundos de ações registraram uma desaceleração nas entradas de capital, atingindo o menor nível em oito semanas, de US$ 5,3 bilhões.
Entenda o conflito no Oriente Médio
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã se iniciou em 28 de fevereiro em meio ao aumento das tensões no Irã após os protestos da população e a ameaça de uso de arma nuclear. Antes dos bombardeios, os países trocaram ameaças fiscais e comerciais.
O conflito deve provocar reflexos tanto geopolíticos, a partir da intensificação das tensões no Oriente Médio, quanto econômicos, com impactos nos preços do petróleo e nos mercados globais. Os resultados do conflito podem ser observados nos principais mercados do mundo.
Fechamento do Estreito de Ormuz é prejudicial para a economia global
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!. Em meio aos ataques dos EUA, o Irã bloqueou parte dessas ilhas.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Em meio ao bloqueio do Estreito e ataques a territórios iranianos, foi criado um vácuo de poder e elevou o risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, afetando não apenas bolsas internacionais, mas também a percepção sobre o real e investimentos no Brasil.

