O programa MOVE Brasil, criado pelo Governo Federal para estimular a renovação da frota de caminhões no país, já aprovou R$ 5 bilhões em financiamentos nos dois primeiros meses de operação.
A iniciativa, operada pelo BNDES com recursos do Tesouro Nacional e do próprio banco, tem como objetivo incentivar a compra de veículos mais eficientes, menos poluentes e mais seguros.
Além disso, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a linha de crédito já resultou também em 4.620 operações em 1.127 municípios brasileiros, atendendo cooperativas do setor, empresas de transporte de cargas e, até mesmo, transportadores autênomos.
Para o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, o ritmo de adesão ao programa indica que ela responde a uma demanda histórica do setor de transporte rodoviário. “Há apenas dois meses do lançamento do Move Brasil, o BNDES já aprovou metade dos R$ 10 bilhões disponibilizados para o programa. Isso demonstra o acerto da medida, que, além de contribuir para o meio ambiente, com veículos que poluem menos, traz mais economia para o caminhoneiro e mais segurança nas estradas”.
Metade dos recursos já comprometidos
Lançado no final de 2025, o MOVE Brasil conta com R$ 10 bilhões em recursos totais, sendo R$ 6 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 4 bilhões do BNDES. No entanto, em apenas dois meses, metade desse valor já foi aprovado para financiamentos. Do montante aprovado:
- R$ 4,2 bilhões já foram contratados
- R$ 2,8 bilhões já foram desembolsados
- R$ 925 milhões foram destinados ao estado de São Paulo
A maior parte das operações está ligada à aquisição de caminhões novos por empresas transportadoras, que concentraram cerca de R$ 4,9 bilhões em 4.380 operações. Já os transportadores autônomos respondem por 239 operações, totalizando cerca de R$ 110 milhões em crédito aprovado.
Renovação da frota e impacto ambiental
Um dos principais objetivos do programa é reduzir a idade média da frota de caminhões no Brasil, considerada elevada em comparação com padrões internacionais. O financiamento contempla:
- Caminhões novos fabricados no Brasil
- Caminhões seminovos produzidos a partir de 2012
- Exigências ambientais do Proconve 7, que estabelece limites de emissão de poluentes.
Isso porque a substituição de caminhões antigos por modelos mais modernos pode gerar ganhos ambientais importantes, reduzindo emissões de gases poluentes e aumentando a eficiência energética.
Além disso, o programa prevê condições financeiras ainda mais vantajosas para empresas que comprovarem a retirada de caminhões antigos de circulação, destinando-os à reciclagem.
Condições de financiamento e juros abaixo do mercado
As regras do financiamento foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional e buscam tornar o crédito mais acessível para o setor. Entre as principais condições estão:
- Limite de financiamento de até R$ 50 milhões por cliente
- Prazo de pagamento de até 5 anos
- Carência de até 6 meses
- Juros entre 13% e 14% ao ano, dependendo da classificação de risco do tomador
Outro ponto importante é a possibilidade de cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que pode garantir até 80% do valor financiado, reduzindo o risco e facilitando o acesso ao crédito.
Estímulo à indústria nacional
Além de apoiar o setor de transporte, o MOVE Brasil também foi desenhado como um instrumento de política industrial. O financiamento de caminhões novos é permitido apenas para veículos fabricados no Brasil, garantindo que os recursos do programa contribuam para fortalecer a produção nacional.
A medida está alinhada às diretrizes da estratégia de reindustrialização defendida pelo governo Lula, que busca ampliar a tecnologia da indústria brasileira e estimular cadeias produtivas locais. Na prática, isso significa que a renovação da frota pode gerar efeitos positivos em vários setores da economia, incluindo a indústria automotiva, a cadeia de autopeças, a logística e a geração de empregos industriais.
Impactos econômicos e logísticos
Especialistas apontam que a modernização da frota de caminhões pode ter efeitos relevantes sobre a competitividade da economia brasileira. O transporte rodoviário responde por cerca de 60% da movimentação de cargas no país, e caminhões mais modernos podem contribuir para:
- Redução de custos operacionais
- Menor consumo de combustível
- Aumento da segurança nas estradas
- Melhor eficiência logística
Além disso, veículos mais novos tendem a exigir menos manutenção, o que pode melhorar a rentabilidade de transportadores autônomos e empresas do setor. Com metade dos recursos já comprometidos em poucos meses, o desempenho inicial do MOVE Brasil indica forte demanda por crédito para renovação da frota e reforça a centralidade do transporte rodoviário na estrutura brasileira.

