Desde o início do conflito armado entre os Estados Unidos e o Irã, que completou uma semana no último sábado (07), novos cenários que implicam em risco político e estratégico foram impostos ao país, entre eles a eliminação do atual regime em Teerã. Neste panorama, os Estados Unidos estudam qual caminho escolher para pressionar o país do Oriente Médio sem implicar em baixas de soldados americanos.
Conforme análise do diplomata Fernando Schmidt, a percepção de risco é compartilhada pelas monarquias do Oriente Médio, lideradas pela Arábia Saudita. Diante disso, a invasão terrestre acaba não sendo uma opção e nem mesmo é apoiada por países que estão ao lado dos EUA.
Apesar do enfraquecimento do poder balístico e naval do Irã já ser real, o país mantém a capacidade de interromper o fornecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz, enquanto os mercados globais permanecem apreensivos. A ação pode desencadear uma crise econômica mundial, principalmente nos países que dependem na entrega de petróleo do Oriente Médio, como China, Índia e Coreia do Sul.
Com isso, o Irã pode conseguir prolongar o confronto e causar mais revolta, diante da impopularidade da guerra no Ocidente o sentimento de revanche pelos 90 milhões de xiitas que perderam seu líder espiritual.
Possíveis saídas para os EUA
O conflito tem colocado Washington diante de dilemas complexos no que diz respeito a pressionar o regime iraniano sem recorrer a um confronto direto, para isso, o país norte-americano pode seguir por dois caminhos. A primeira possível estratégia dos Estados Unidos é explorar as tensões internas, como os curdos no noroeste, os baluchis no sudeste, os árabes do Khuzistão no sudoeste e os azeris no norte. O segundo plano avaliado está relacionado a tentativa de negociar ou influenciar em mudanças internas para reduzir riscos e evitar um razio de poder.
Em um terceiro cenário, o conflito militar poderia se prolongar, mas essa alternativa não parece ser prioridade para os Estados Unidos. Experiências recentes em Vietnã, Afeganistão, Líbia, Iraque e Síria ainda estão frescas, e o país dificilmente toleraria novas perdas militares próprias. Além disso, a manutenção de uma guerra aberta poderia se tornar um fator de risco político significativo para o governo atual, especialmente considerando que Donald Trump se apresentou ao eleitorado como um defensor da paz.
Para a China um conflito prolongado no Golfo pode ser positivo por desviar a atenção americana de seus interesses na Ásia. Entretanto, o conflito excessivo de forma ampliado por não ser totalmente conveniente.
Efeitos para a economia mundial
Para os países fora do conflito o que mais preocupa são os efeitos relacionados ao aumento do preço internacional do petróleo. Os principais riscos envolvem o aumento da inflação, taxas de juros, política monetária, exportações, bem como custos de seguros e fluxos comerciais.
Outro tema que levanta temores: enfraquecimento do direito internacional, sinal de alerta para países considerados mais fracos diante das principais potencias do mundo. Saiba mais detalhes sobre o assunto na coluna de Fernando Schmidt.

