A filiação do deputado federal Kim Kataguiri ao recém-criado Missão marca mais do que uma simples troca partidária: indica um movimento político de expansão de ambições. Aos 30 anos, o parlamentar deixa o União Brasil para se tornar um dos principais nomes da nova legenda e já sinaliza que pretende disputar o governo de São Paulo nos próximos anos.
A criação do Missão oferece a Kataguiri algo que ele não possuía plenamente em outras siglas: protagonismo político. Como líder de um partido próprio, ele passa a ter maior tempo de fala no plenário e nas comissões da Câmara, um recurso importante para ampliar visibilidade nacional.
Mas o objetivo parece ir além do espaço institucional. Nos bastidores do movimento, a estratégia já é vista como um passo para consolidar Kataguiri como um candidato ao governo paulista, cargo que hoje representa um dos principais polos de poder da política brasileira.
A aposta segue uma lógica de construção de carreira política gradual. Kataguiri ganhou projeção nacional ainda jovem, durante as mobilizações que levaram ao Impeachment de Dilma Rousseff, e foi eleito deputado federal por São Paulo em 2018 e reeleito em 2022. Agora, tenta transformar a influência digital e militante do MBL em uma estrutura partidária capaz de disputar o Executivo.
O desafio de enfrentar Tarcísio
O cenário, no entanto, não é simples. Pesquisas recentes indicam que o atual governador, Tarcísio de Freitas, aparece como favorito para uma eventual reeleição. Levantamento do instituto Real Time Big Data divulgado nesta semana mostra o governador liderando todos os cenários testados para primeiro e segundo turno. Entre os nomes considerados na oposição está o do ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).
Um teste para o MBL nas urnas
A eventual corrida ao Palácio dos Bandeirantes também será um teste para o próprio MBL. Desde sua criação, o movimento sempre teve forte presença no debate público e nas redes sociais, mas com resultados eleitorais limitados em comparação à sua influência política.
Ao lançar um partido próprio e apostar em uma candidatura majoritária em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o grupo tenta dar um passo além da militância e se firmar como força partidária estruturada.
A mudança de partido
A migração já era esperada desde que o novo partido começou a ser estruturado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), grupo do qual Kataguiri é um dos principais coordenadores. A legenda foi oficialmente aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025, após reunir 547 mil assinaturas validadas pela Justiça Eleitoral.
A cerimônia oficial de lançamento do partido está marcada para 19 de março, na capital paulista, quando a filiação de Kataguiri e de outros integrantes do movimento será anunciada publicamente.

