A ofensiva da oposição em torno do caso do Banco Master revela mais do que uma disputa sobre a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito. O movimento expõe uma estratégia política clara: transformar um episódio ainda nebuloso do sistema financeiro em mais um capítulo da disputa institucional entre Congresso e Supremo Tribunal Federal.
No começo desta semana, parlamentares oposicionistas apresentaram um mandado de segurança ao STF para obrigar a instalação de uma CPMI destinada a investigar o Banco Master. O argumento central é jurídico: os requisitos constitucionais para a criação da comissão teriam sido cumpridos, apoio de um terço dos parlamentares, fato determinado e prazo definido, o que, na visão dos autores da ação, impediria o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de travar o processo.
A iniciativa também tenta se apoiar em um precedente importante. Em 2021, o próprio Supremo determinou a instalação da CPI da pandemia após um mandado de segurança apresentado pelos senadores Alessandro Vieira e Jorge Kajuru. Na ocasião, o tribunal entendeu que o presidente do Senado não poderia barrar a criação de uma comissão quando os requisitos constitucionais estivessem preenchidos.
Encruzilhada institucional
Ao resgatar esse episódio, a oposição busca colocar o STF diante de uma encruzilhada institucional: manter a mesma interpretação e autorizar a instalação da CPMI ou adotar uma postura mais cautelosa diante de uma investigação que, potencialmente, poderia atingir ministros da própria Corte.
O caso ganhou contornos ainda mais delicados porque parte das suspeitas levantadas envolve a relação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e magistrados do Supremo, especialmente Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Ainda que não haja conclusões formais, a simples menção a integrantes da Corte em uma investigação parlamentar tende a elevar a temperatura.
A CPI
Paralelamente, o movimento também avança no Senado. O senador Alessandro Vieira anunciou ter alcançado as 27 assinaturas necessárias para abrir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) específica na Casa para investigar a conduta de ministros do Supremo no caso. Porém, vale lembrar que a oposição pede uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), quando as duas Casas estão envolvidas, tanto Câmara quanto Senado.
Na prática, a estratégia da oposição opera em duas frentes: pressionar o Senado a instalar uma comissão e, ao mesmo tempo, judicializar o impasse no STF. É um movimento que mistura cálculo jurídico e narrativa política. Mesmo que a CPMI não avance rapidamente, o tema ganha visibilidade e se incorpora ao discurso de confronto institucional que tem marcado parte da atuação oposicionistas nos últimos anos.

