Embora o cotidiano do brasileiro seja marcado por preocupações com o bem-estar social, a integridade da gestão pública permanece como um fator importante na percepção da crise nacional. Dados do Instituto Datafolha mostram que, para 9% dos cidadãos, a corrupção e a desonestidade figuram como o obstáculo número um do Brasil hoje.
No panorama geral de inquietações, o cenário é dominado pela saúde (21%) e pela segurança pública (19%). O topo do ranking é completado por setores como economia (11%), enquanto a corrupção divide a quarta colocação com a educação (9%).
Outras feridas sociais, como o desemprego (4%), a fome e a pobreza (3%), também foram registradas, embora com menor incidência estatística.
Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apenas 4% apontam a corrupção como o principal problema do país. Já entre os que declaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro, o percentual sobe para 14%, indicando que o assunto tem maior peso mobilizador entre setores da oposição.
Fator político
A permanência do tema no centro do debate público é impulsionada por investigações em andamento que envolvem pessoas próximas ao poder. No centro das atenções parlamentares atualmente está Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do atual presidente. Seu nome de surgiu durante as investigações da CPI do INSS, que trata sobre fraudes bilionárias contra aposentados.
Investigadores da Polícia Federal apontaram conexões suspeitas entre Lulinha e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Houve requerimento para a quebra de seus sigilos. Contudo, é fundamental ressaltar que, até o presente estágio das apurações, não foram apresentadas provas de participação direta do filho do presidente nas ilicitudes.
Paralelamente, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, também está no centro dos debates após liquidação do banco master, duas prisões e conversas até mesmo íntimas publicadas na internet.
Nas Mensagens extraídas de seu aparelho celular também há uma lista densa de rede de contatos na cúpula da República. O conteúdo indicaria diálogos com nomes como:
- Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados
- Ciro Nogueira, senador
- Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal
- João Doria, ex-governador de São Paulo
- Ministros do STF como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli
Polarização
A rede de conexões também alcança os setores religioso e financeiro por meio do pastor Fabiano Zettel, ligado à Igreja Batista da Lagoinha, apontado como cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro.
Zettel ganhou destaque nas eleições de 2022 ao aparecer entre os principais financiadores de campanhas. Entre os beneficiados por suas doações estão o ex-presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A variedade de nomes envolvidos nesse contexto também se reflete na forma como diferentes segmentos do eleitorado enxergam o tema da corrupção. O estudo também mostra uma clara diferença de percepção conforme a preferência política dos entrevistados.
O Brasil abaixo da média na corrupção mundial
Como já relatado no O Brasilianista, o Brasil marcou 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) do Portal da Transparência em 2025, permanecendo abaixo da média global de 42 pontos. O resultado coloca o país entre aqueles que ainda enfrentam dificuldades relevantes no combate à corrupção no setor público.
O Brasil está em um grupo intermediário inferior, ao lado de nações que enfrentam desafios para fortalecer instituições de justiça, ampliar a transparência no financiamento político e garantir fiscalização independente dos gastos públicos.
A pontuação brasileira também ficou abaixo da registrada pela Ucrânia e acima da Sri Lanka, demonstrando que o país ainda está distante das democracias com melhores indicadores de integridade pública.
De acordo com o estudo, o desempenho do Brasil reflete problemas persistentes no fortalecimento institucional e na consolidação de mecanismos eficazes de prevenção e combate à corrupção, o que mantém o país entre aqueles que ainda não conseguiram avançar de forma consistente na redução da corrupção percebida no setor público.

