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Economia

AIE vai liberar 400 milhões de petróleo para conter crise no Oriente Médio

Guerra no Irã leva países a recorrerem a estoques estratégicos para tentar estabilizar o mercado global de energia

AIE vai liberar 400 milhões de petróleo para conter crise no Oriente Médio

Nesta quarta-feira (11), 32 países integrantes da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram, por unanimidade, liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para o mercado global. A medida é uma forma de barrar as interrupções no fornecimento do combustível fóssil causadas pelo conflito no Oriente Médio.

A decisão foi tomada após uma reunião extraordinária realizada pelos governos membros da agência. O encontro foi convocado pelo diretor executivo da AIE, Fatih Birol. Foi avaliado o cenário do mercado internacional de petróleo diante da escalada do conflito. Também foi discutido alternativas para enfrentar as dificuldades de abastecimento.

Segundo Birol, a situação atual representa um desafio sem precedentes para o setor energético. Ele destacou que, diante da dimensão global do mercado de petróleo, a resposta às interrupções também precisa ocorrer de forma coordenada entre os países.

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A dirigente ressaltou ainda que garantir a segurança energética é a principal missão da AIE. Ele também afirmou que a decisão demonstra a união dos membros da organização diante da crise.

Na prática…

A liberação dos estoques deve acontecer conforme as condições e estratégias de cada país integrante, podendo ser acompanhada por outras medidas emergenciais adotadas individualmente por alguns governos. Atualmente, os membros da AIE mantêm mais de 1,2 bilhão de barris em reservas estratégicas de petróleo.

Além disso, existem cerca de 600 milhões de barris armazenados pela indústria por exigência de políticas governamentais.

A liberação coordenada anunciada agora será a sexta operação desse tipo desde a criação da AIE, em 1974. Iniciativas semelhantes ocorreram anteriormente em 1991, 2005, 2011 e duas vezes em 2022. O conflito no Oriente Médio tem afetado diretamente o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte da commodity.

O Estreito de Ormuz

Atualmente, os volumes de exportação de petróleo bruto e derivados que passam pela região estão abaixo de 10% do nível registrado antes do início da guerra, levando empresas petrolíferas a interromper ou reduzir significativamente suas operações.

Em 2025, cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados atravessaram o Estreito de Ormuz, volume equivalente a aproximadamente 25% de todo o comércio marítimo mundial de petróleo. As alternativas logísticas para contornar essa rota são consideradas limitadas.

A AIE informou que o secretariado da organização divulgará posteriormente mais detalhes sobre a implementação da liberação dos estoques. A entidade também afirmou que deve continuar acompanhando a evolução dos mercados globais de petróleo e gás, além de orientar os governos membros sempre que necessário.

Ação do G7

Antes da decisão da agência, o G7 havia se reunido sob a coordenada da AIE convocada pela França para discutir medidas que contenham a disparada dos preços, incluindo a possível liberação de reservas estratégicas de petróleo. A prinicpio a liberação conjunta seria entre de 300 a 400 milhões de barris para reduzir a pressão no mercado.

A instabilidade já provocou alta no preço do gás na Europa e no Reino Unido, além de quedas em bolsas globais. Economistas alertam que a elevação dos custos de energia pode pressionar a inflação, elevar custos industriais e reduzir o crescimento econômico, afetando consumidores e empresas em diversos países.

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