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Economia

Percepção negativa da economia cresce mesmo com desemprego baixo, aponta Datafolha

Pesquisa mostra um descompasso entre indicadores econômicos e sentimento da população

Percepção negativa da economia cresce mesmo com desemprego baixo, aponta Datafolha

A percepção dos brasileiros sobre a economia voltou a piorar no início de 2026, segundo pesquisa do Datafolha. O levantamento aponta que 46% da população avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, alta de cinco pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

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O resultado, de certa forma, revela um aumento expressivo do pessimismo mesmo em um cenário de indicadores macroeconômicos relativamente estáveis, como a inflação em desaceleração e até mesmo o desemprego próximo do menor nível histórico, como já noticiado pelo O Brasilianista.

Para grande parte da população, a sensação de deterioração econômica está mais ligada ao cotidiano financeiro do que aos números gerais da economia. O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros entre 3 e 5 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Descompasso entre indicadores e percepção

O levantamento evidencia um contraste entre os dados e a percepção popular. Enquanto o desemprego está em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, segundo o IBGE, um dos menores níveis já registrados, quase metade dos brasileiros acredita que o mercado de trabalho deve piorar.

De acordo com a pesquisa, 48% dos entrevistados esperam aumento do desemprego, enquanto apenas 21% acreditam em queda. Esse descompasso também aparece na avaliação da economia em geral.

O percentual de brasileiros que dizem que a situação melhorou caiu de 29% para 24% na comparação com o levantamento anterior, realizado em dezembro de 2025. Esse fenômeno, normalmente, está associado ao impacto direto de fatores como juros elevados, endividamento das famílias e custo de vida no orçamento doméstico — elementos que afetam a percepção cotidiana da população.

Inflação segue como principal preocupação

A inflação permanece como um dos fatores que mais influenciam o sentimento econômico da população.

Segundo a pesquisa, 61% dos brasileiros acreditam que os preços continuarão subindo nos próximos meses. Apesar dessa expectativa, expectativas do mercado indicam queda da inflação em 2026. O IPCA acumulado em 12 meses até janeiro ficou em 4,44%, e a previsão é de que o índice encerre o ano próximo de 3,9%.

Mesmo assim, a percepção de perda de poder de compra permanece elevada. Para 39%, os salários devem perder poder de compra, enquanto 32% acreditam que a renda vai melhorar.

Pessimismo cresce também nas finanças pessoais

Além da avaliação do país, a pesquisa mostra deterioração na percepção da própria situação financeira.

O percentual de pessoas que dizem que sua condição econômica piorou subiu de 26% para 33% entre dezembro e março. Já os que afirmam ter percebido melhora caíram de 36% para 30%.

O sentimento em relação ao futuro também se deteriorou. Embora a maioria ainda se declare otimista, o percentual caiu de 60% no final de 2025 para 51% agora. Essa mudança sugere que o início do ano trouxe maior cautela entre os brasileiros em relação às perspectivas econômicas.

Diferenças regionais e de renda

A percepção econômica varia de forma significativa entre diferentes grupos da população.

O otimismo em relação ao futuro da economia é maior entre pessoas com renda de até dois salários mínimos (33%), enquanto cai para 11% entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos.

Regionalmente, o Nordeste apresenta níveis mais elevados de expectativa positiva: 36% acreditam em melhora, contra 25% no Sudeste. A pesquisa também mostra diferenças associadas a fatores religiosos e políticos, com níveis de pessimismo maiores entre eleitores de candidatos da oposição ao Governo.

Contexto econômico e político

O aumento da percepção negativa ocorre em um momento marcado por incertezas no cenário econômico e geopolítico. O início de 2026 foi influenciado por fatores como juros elevados, crescimento lento da economia e tensões internacionais envolvendo o Irã, que pressionaram expectativas globais.

Ao mesmo tempo, a avaliação do governo federal permaneceu relativamente estável no período, sugerindo que a piora na percepção econômica pode estar mais ligada às condições financeiras do dia a dia do que a mudanças políticas. O resultado da pesquisa reforça um desafio recorrente na economia brasileira: transformar indicadores positivos em melhora perceptível na vida da população.

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