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Economia

O que pode explicar queda nas exportações do Brasil aos EUA no último semestre?

Relatório aponta impacto de tarifas e commodities no fluxo comercial entre as duas economias

Investidores de Wall Street têm visão otimista sobre o Brasil

Um levantamento divulgado pela Amcham Brasil indica que o comércio entre Brasil e Estados Unidos iniciou 2026 sob pressão.

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O estudo mostra que as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 2,4 bilhões em janeiro, resultado que representa uma queda de 25,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O desempenho negativo marcou o sexto recuo consecutivo nas vendas externas para os Estados Unidos, tendência que vem se consolidando desde o segundo semestre do ano passado.

Com a retração das exportações mais intensa que a redução nas importações, o déficit comercial brasileiro na relação bilateral chegou a aproximadamente US$ 700 milhões no primeiro mês do ano.

Tarifaço e petróleo explicam pressão sobre exportações

O relatório aponta que dois fatores principais ajudaram a explicar o desempenho mais fraco das exportações brasileiras: a queda nas vendas de petróleo e o impacto de tarifas adicionais aplicadas por Washington.

Entre os produtos exportados pelo Brasil, o petróleo bruto apresentou retração de 39,1%, tornando-se um dos principais responsáveis pela redução do valor total das vendas externas.

O estudo também mostra que bens brasileiros sujeitos a tarifas extras registraram recuo médio de 26,7% nas exportações para o mercado americano.

Produtos atingidos por sobretaxas mais elevadas, com alíquotas entre 40% e 50%, tiveram retração de 38,2%, enquanto itens enquadrados na chamada Seção 232, que inclui siderurgia e cobre, apresentaram desempenho semelhante.

Indústria e commodities lideram perdas no comércio

Dados detalhados do Monitor do Comércio Brasil-EUA indicam que produtos industriais e matérias-primas estiveram entre os itens que mais contribuíram para a queda nas vendas externas.

Entre os segmentos com maior retração aparecem semimanufaturados de ferro ou aço, combustíveis derivados de petróleo, sucos de frutas e compostos químicos usados pela indústria.

Produtos afetados por medidas tarifárias tiveram desempenho mais fraco do que outros itens da pauta exportadora brasileira.

Em alguns casos, como no setor de metais, as vendas registraram quedas superiores à média observada no comércio bilateral.

Importações também recuam no início do ano

As importações de produtos americanos registraram retração de 10,9% no mesmo período, indicando redução no fluxo de mercadorias entre as duas economias.

Apesar da queda nas compras externas, a diminuição mais intensa das exportações fez com que o déficit comercial se ampliasse no início do ano.

Parte da pauta exportadora resiste à desaceleração

Mesmo com o cenário adverso, alguns setores da economia brasileira conseguiram manter desempenho positivo nas vendas para os Estados Unidos.

Entre os produtos que apresentaram resultados mais favoráveis estão café, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.

Em vários desses casos, o desempenho das exportações para o mercado americano foi superior ao observado nas vendas brasileiras para outros destinos internacionais.

Isso indica que determinadas cadeias produtivas continuam mantendo integração comercial relevante com empresas e consumidores dos Estados Unidos.

Mudanças nas rotas comerciais alteram equilíbrio global

Enquanto o comércio com os Estados Unidos perdeu força, outros mercados passaram a ganhar maior importância para as exportações brasileiras.

Reportagem do O Brasilianista mostrou que o crescimento das vendas para a China compensou parte da retração registrada no comércio com o mercado americano.

No início do ano, os embarques brasileiros para o país asiático alcançaram cerca de US$ 6,47 bilhões, registrando expansão de 17,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com esse desempenho, o Brasil registrou superávit comercial de aproximadamente US$ 720 milhões na relação com a economia chinesa.

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