Os dois primeiros meses do ano apresentaram resultados positivos quanto às exportações e importações da China. Dados da Administração Geral de Alfândegas (GAC) apontam que o valor total das trocas de mercadorias do país asiático apresentou aumento de 18,3% em relação ao ano anterior, no período de janeiro a fevereiro, com o registro de alta de dois dígitos.
Segundo informações divulgadas pelo Governo da China, as vendas para o comércio exterior de mercadorias atingiram 7,73 trilhões de yuans, o que representa cerca de 1,12 trilhão de dólares americanos.
Os resultados foram puxados pela quantidade de produtos exportados, com aumento de 19,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Entre os produtos mais vendidos para outros países, os principais estão produtos mecânicos e elétricos de alta tecnologia e de alto valor agregado, que registraram aumento de 24,3% na comparação com os dois primeiros meses de 2025.
Em relação às importações, o levantamento revela que a necessidade por importações na China também teve aumento, com alta de 17,1% e total de 3,11 trilhões de yuans. O movimento foi observado a partir do feriado prolongado do Festival da Primavera, que expandiu a necessidade de mercadorias de outros países, como produtos mecânicos e elétricos, minério de ferro e petróleo bruto.
Cenário resiliente
De acordo com análise do governo do país, os resultados apontam para um cenário de crescimento comercial resiliente, movimento visto desde 2025 e que tem aparecido neste ano. “Analistas observaram que, desde o início deste ano, diferentes regiões e departamentos chineses têm feito esforços proativos para fortalecer o comércio exterior, enquanto um grande número de empresas de comércio exterior tem se empenhado em garantir encomendas e explorar mercados”.
O pesquisador do Instituto de Economia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Huang Qunhui, explica que os resultados positivos logo no início do ano estabelecem um caminho mais sólido para as perspectivas do comércio exterior da China em 2026. Conforme afirma o especialista, a transformação e modernização da indústria manufatureira do país, bem como a expansão da demanda interna para fortalecer as importações, têm auxiliado no desenvolvimento de alta qualidade do comércio exterior.
Parceiros comerciais
Aparecendo como principal parceiro comercial da China, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) registrou trocas comerciais com o país que ultrapassaram 1,24 trilhão de yuans nos dois primeiros meses de 2026, um aumento de 20,3% em relação ao ano anterior. O segundo parceiro comercial do país é a União Europeia, que atingiu 998,94 bilhões de yuans em comércio bilateral no mesmo período, alta de 19,9% em relação ao ano anterior.
Na contramão, o comércio entre a China e os Estados Unidos sofreu forte queda recentemente, com recuo de 16,9% em relação ao ano anterior. Apesar disso, conforme noticiado pelo O Brasilianista, atores do mercado veem possibilidade da relação melhorar em 2026, diante do movimento de mais investimentos de empresas chinesas no país norte-americano.
Segundo levantamento realizado pela Câmara de Comércio Americana no Sul da China, 39% dos entrevistados do setor preveem melhora nos investimentos entre os dois países, o que representa uma alta de 14 pontos percentuais em relação ao registrado em 2024.

