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Geopolítica

Reintegração da Venezuela ao Mercosul volta ao debate após quase 10 anos; entenda

Especulação do senador Chico Rodrigues detalha os possíveis benefícios econômicos e comerciais para a região Norte do Brasil

Reintegração da Venezuela ao Mercosul volta ao debate após quase 10 anos; entenda

Na última terça-feira (10), o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) defendeu, em pronunciamento no plenário do Senado, que a Venezuela volte a participar do bloco sul-americano, suspenso desde 2016 por descumprimento de normas de adesão. Na prática, a reintegração permitiria maior circulação de produtos e serviços entre os membros do Mercosul, abertura de novas oportunidades de negócios e fortalecimento de acordos regionais.

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“Para Roraima, em particular, isso significa oportunidades concretas de crescimento econômico, expansão do comércio e maior dinamização da economia regional”, destacou Rodrigues, segundo a Agência Senado.

A Venezuela foi suspensa do Mercosul em dezembro de 2016, durante o governo de Nicolás Maduro. Na avaliação dos demais membros, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o país não havia cumprido compromissos previstos no protocolo de adesão, incluindo cláusulas relacionadas à manutenção da democracia, direitos humanos e tratados econômicos de imigração e regulatórios.

Saída do Mercosul

De acordo com a Reuters, a então vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, que na época ocupava o cargo de ministra das Relações Exteriores, criticou a medida, dizendo que o rompimento representava uma campanha política promovida por governos da região.

Segundo Rodríguez, a Venezuela solicitou aos membros do bloco a ativação de mecanismos de resolução de conflitos para contestar a decisão, em carta enviada aos ministros das Relações Exteriores do Mercosul.

A suspensão não aplica sanções econômicas diretas, mas afasta o governo venezuelano das reuniões e negociações comerciais do bloco, além de isolar ainda mais a economia local, que enfrenta escassez de alimentos e agitação social em meio a uma profunda crise econômica dependente do petróleo.

Além disso, especialistas do comércio internacional apontam que a ausência da Venezuela tem atrasado decisões regulatórias e comerciais importantes dentro do Mercosul.

Segundo Roberto Ticoulat, presidente do Conselho Brasileiro de Exportadores e Importadores Comerciais essa “é uma decisão política que demonstra a tentativa dos países do Mercosul de se alinharem à realidade global. O Brasil precisa fazer parte do comércio global e não podemos esperar mais”.

Ganhos para o Brasil

Para o senador, a reintegração da Venezuela representaria ganhos concretos em termos de comércio e desenvolvimento regional. A participação plena do país vizinho no Mercosul pode facilitar acordos comerciais, reduzir barreiras burocráticas e ampliar o fluxo de produtos entre Brasil, Venezuela e demais membros do bloco.

Especialistas em relações internacionais reforçam que a aproximação comercial poderia gerar efeitos positivos, especialmente nas regiões de fronteira, onde a economia local depende de trocas diretas com o país vizinho.

Trump no comando da Venezuela

Há dois meses os Estados Unidos invadia a Venezuela e levava preso o agora ex-presidente, Nicolás Maduro. A região vive sob o domínio e decisões, mesmo que indiretamente, de Donald Trump, presidente dos EUA. Mas, o estadunidense parece não concordar com o acordo Mercosul ao tecer diversas críticas, o que pode colocar em jogo a participação da Venezuela no bloco.

Em janeiro, o Financial Times, publicou que autoridades comerciais dos Estados Unidos criticaram a União Europeia por tentar, segundo eles, garantir um “monopólio” para seus produtos de carne e queijo na América do Sul, por meio do acordo comercial histórico assinado com os países do Mercosul.

Segundo fontes estadunidenses, o Mercosul pode prejudicar agricultores dos EUA, pois podem impedir que vendam produtos específicos em países europeus, como presunto de Parma, queijo feta e champanhe, dando vantagens exclusivas aos produtores da UE.

As objeções surgem em meio a tensões comerciais entre Washington e Bruxelas, e à preocupação americana com a competitividade agrícola, especialmente após um pacote de US$ 12 bilhões de ajuda a produtores dos EUA afetados pela guerra comercial.

Os Estados Unidos manifestaram repetidamente essas preocupações a países como o Brasil e à União Europeia, que planejam proteger mais de 340 alimentos específicos por indicação geográfica.

Apesar das críticas ao acordo Mercosul, a maioria dos Estados‑membros europeus apoiam e destacam que ele fortalece essas relações e ajuda a garantir acordos comerciais em meio ao protecionismo dos EUA.

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